Menos acusações,
mais ações
Comerciantes que atuam em áreas essenciais e puderam manter suas atividades mesmo em meio à pandemia terão que se reorganizar para continuar atuando, após o endurecimento das regras para garantir o isolamento social e evitar a propagação do novo coronavírus em Belo Horizonte. Com o maior número de casos da doença no Estado – algo até previsível, diante do tamanho da cidade e de sua importância logística e econômica – , o município não tem medido esforços para atrasar a disseminação da Covid-19. E, a partir da próxima semana, promete jogar mais pesado ainda para proteger seus moradores.
Na quarta-feira que vem, entrar em padarias, farmácias e supermercados só será possível se o cliente estiver de máscara. O controle caberá aos próprios estabelecimentos e ainda não estão definidas as sanções para quem – freguês ou empresa – descumprir o decreto. Mas o simples fato de existir essa obrigação, espera-se, já deve produzir efeitos. Certo é que haverá mais uma mudança na rotina de quem sai de casa para comprar um reles pão de sal, posto que nem todo mundo já se conscientizou ou adotou o acessório como meio de proteção.
Também é certo que nem todas as batalhas de uma guerra são vencidas sempre pelos mesmos soldados, sejam eles de que lado forem. Enquanto enfrenta comerciantes, empresários, trabalhadores autônomos e uma parcela da população que questiona a necessidade e o rigor de tantas ações, o município ainda busca evitar que outras “barreiras” falhem. E nem sempre consegue, porque numa luta por direitos como a atual há de fato muitos direitos, de diferentes atores, envolvidos. Esta semana, por exemplo, a Justiça proibiu que a Prefeitura de BH impeça a circulação, aqui, de ônibus vindos de locais que afrouxaram o isolamento. Na semana passada, ao menos um veículo, vindo do Leste de Minas, teve que dar meia volta com os passageiros por determinação da PBH.
O momento, agora, é o de entender que precisamos de menos acusações e disputas e de mais engajamento. Temos que salvar vidas, mas sem nos esquecermos da economia. Se todo mundo já compreendeu isso, passou da hora de usarmos a energia e o tempo gasto hoje com discussões em busca de medidas efetivas contra a Covid, que alcancem o maior número de pessoas possível causando o mínimo de impacto.