Editorial.

Minas perdendo a identidade

Publicado em 17/09/2016 às 00:51.Atualizado em 15/11/2021 às 20:52.

O patrimônio histórico é a imagem de Minas Gerais para o restante do Brasil e para o mundo. Nossos casarões e igrejas estão estampados nos cartões postais que são vendidos aos turistas nas lojas de lembrancinhas. Essas construções são as primeiras coisas que vêm na cabeça de um brasileiro ao pensar no Estado. 
Mas quem está vindo a Minas para ver aquilo que ela tem de mais atrativo está dando com a cara na porta, ou nos portais de madeira maciça com centenas de anos. Monumentos marcantes para a história do nosso estão simplesmente fechados à visitação pública para uma reforma que ou está parada ou anda a passos lentos, sem previsão de término. 

E não são construções distantes ou irrelevantes. Estamos falando, por exemplo, da Catedral da Sé, em Mariana, primeira capital de Minas, que deve, sem dúvidas, um dos locais s mais visitadas do Estado. Pelo menos, deveria ser, se ela estivesse aberta para o público. 

Ir a Ouro Preto ou Mariana e não poder ver a riqueza dos altares dos templos religiosos é como você ir ao Rio e não ver de perto o Cristo Redentor ou não passear de bondinho do Pão de Açúcar, ir a Roma e não ver o Papa na Praça São Pedro. A situação beira quase o surreal.


A desculpa para que apenas duas das 101 obras de restauração previstas no PAC das Cidades Históricas estejam prontas pode ser a falta de dinheiro, em parte, mas também há erros claros de gestão. Monumentos dessa importância precisam de ser conservados constantemente. Pode não parecer à primeira vista, mas é mais barato manter uma equipe permanente cuidando do acervo do que ficar dependendo de repasses de tempo em tempo. É só contabilizar quanto uma igreja dessa perdeu de receita por estar três ou quadro anos fechada. 

Sem contar que turista decepcionado não volta ao local visitado, reduzindo o número de frequentadores, afetando todos setores econômicos que dependem do turismo. Você recomendaria uma cidade litorânea se chegasse ao local e encontrasse a praia fechada?

O cuidado com o patrimônio das cidades deveria ser uma das prioridades de governo do Estado e das respectivas prefeituras pela importância não só histórica, mas econômica e social. Mas do jeito que está vamos cada vez mais escondendo o nosso passado e perdendo nossa identidade.
 

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