O primeiro pacote de investimentos do governo efetivo de Michel Temer mostra poucas novidades em relação ao que já tinha sido proposto pelo governo Dilma Rousseff. Aliás, a população já está meio cansada desses anúncios de pacotes de obras que nunca são implementadas em sua plenitude, como foi com o famoso Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado pelo ex-presidente Lula. A maioria das obras ainda não foram concluídas.
Embora tenha outro foco em comparação com o PAC, o Crescer não é nada mais que uma reafirmação por onde o governo pretende aposta na retomada da economia: atraindo a iniciativa privada para tomar conta de algumas estruturas hoje nas mãos do governo, como estradas, portos e aeroportos.
Os termos para as concessões ainda não foram totalmente detalhados, mas pelos primeiros esclarecimentos da equipe do novo governo e análises iniciais de especialistas que trazemos nesta edição, haverá certamente mudanças nas regras dos contratos para torná-los mais atrativos e, portanto, evitar as várias concorrências frustradas que ocorreram na gestão de Dilma.
O que Minas Gerais tem a lamentar é que no pacote que parece priorizar a infraestrutura não contém grandes intervenções planejadas para o Estado. Apenas a BR–365, que corta o Triângulo Mineiro, está na lista de melhorias, apesar de Minas uma das principais economias do Brasil, possuir a maior malha rodoviária do país e ter estradas em situações complicadas, como a BR–381, entre a capital e a região Leste, e a BR–251, no Norte do Estado.
Como se trata de uma série de intervenções já previstas no governo anterior, o Crescer comprova o que os mineiros não estavam sendo tratados como deveriam pela gestão passada. Na mesma toada, o novo programa já indica que, o Estado não se mobilizar, o tratamento seguirá o mesmo.
Não dá mais para os prefeitos e parlamentares mineiros atuarem em separado e deixar que outros Estados levem os recursos para áreas que, com todo o respeito, não chegam nem perto da importância de Minas. E hoje há menos verba para distribuir.
O novo governo também requer uma nova postura dos políticos de Minas, para não ficarmos mais uma vez esquecidos pela União.