Editorial.

Momento exige união e atuação complementar

Publicado em 20/03/2020 às 22:33.Atualizado em 27/10/2021 às 03:02.

Um dos fenômenos acessórios provocados pela chegada da pandemia de Covid-19 ao Brasil (acessório, mas que se mostra preocupantemente importante) é a falta de coordenação, com várias batidas de cabeça, entre os vários entes federativos. Redes sociais e imprensa se tornaram palco de uma disputa que não poderia ser mais descabida em momento tão sério, que exige solidariedade em todos os níveis.
Divergências partidárias e dificuldade de interlocução fazem com que medidas anunciadas na tentativa de ampliar o isolamento social quase se percam. 
Da mesma forma, decisões tomadas por alguns estados e municípios não são seguidas por outros igualmente atingidos pela pandemia, o que deixa dúvidas sobre a real eficácia de uma e de outro, e qual a melhor escolha em termos de proteção à população.
Relatos de viajantes que retornaram ao Brasil vindos de áreas especialmente atingidas pelo novo coronavírus dão conta de que não havia qualquer estrutura de monitoramento nos aeroportos, o que poderia ser feito de forma simples com termômetros digitais de custo baixo, hoje disponíveis em qualquer consultório médico ou odontológico.
É verdade que muito vem sendo feito; que medidas duras vêm sendo tomadas, por se mostrarem as mais adequadas num momento delicado, mas surge no horizonte um panorama que deve ser evitado e combatido a todo custo. Não é hora de antecipar uma questão eleitoral mais do que nunca irrelevante.
É necessário acordar para a realidade de que a enfermidade se espalha por um país comandado, nas três esferas do Executivo, pelos mais variados partidos e correntes ideológicas. E o vírus, como já se sabe de forma concreta, não escolhe a quem infecta. 
Discussões até devem haver, desde que sob uma ótica de ações eficazes e coordenadas; complementares, capazes de criar um escudo efetivo na busca de barrar o crescimento exponencial da pandemia. Quando há vidas em jogo, não se pode perder tempo com bate-bocas estéreis. Passa da hora de os governantes entenderem que a influência do momento de crise em seu desempenho eleitoral dependerá, mais do que qualquer coisa, da forma pela qual conduzirem a população a superar uma catástrofe de saúde.
{TEXT}

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por