O metrô de Belo Horizonte é uma das maiores vergonhas da história da capital mineira. Não pela qualidade. Bem ou mal, os trens carregam 230 mil pessoas por dia. Mas é que desde 1986, com a inauguração do trecho entre a Lagoinha e o Eldorado, não saímos ainda da Linha 1 – que deveria se chamar “Linha Única” –, mesmo o projeto já prevendo pelo menos dois trechos longos. Ou seja, o que se propõe todos os anos não é a ampliação do metrô, mas sim a instalação do projeto original.
A verdade é que nunca houve um envolvimento grande da classe política da capital e de Minas para terminar a obra do metrô. Todas as tentativas acabaram se perdendo com o tempo, sempre com a desculpa de falta de recursos. No mesmo tempo, cidades como Salvador, Fortaleza, Rio e São Paulo conseguiram avanços, mesmo que bem tímidos em alguns casos.
“O fato do metrô ser de federal pode colocar a União como uma das principais culpadas, mas não exime nenhuma outra esfera da responsabilidade por essa obra se arrastar por trinta anos”
O fato do metrô ser federal pode colocar a União como uma das principais culpadas dessa situação, mas não exime nenhuma outra esfera do poder público da responsabilidade por essa obra se arrastar por trinta anos.
Além da União, falharam também todos os governadores que chefiaram o Estado desde 1986, ao não conseguirem dar continuidade ao projeto, pelo menos na velocidade que ele merece. Falharam todos os deputados estaduais e federais de Minas que passaram pela Assembleia Legislativa e pela Câmara, por não fazerem pressão no Executivo para que os investimentos não fosse postergados; e todos vereadores eleitos, que têm como principal função zelar pela cidade e pela qualidade de vida dos que nela moram.
Falhamos também nós, cidadãos, que não fomos capazes de nos unirmos e cobrar de forma suficientemente forte dos governantes um modelo de transporte público consagrado nas principais capitais do mundo e que poderia estar transportando hoje quase a metade da população, evitando assim milhares de horas perdidas no trânsito.
O futuro do sistema é incerto, e não dá para exigir da população que acredite em uma solução rápida. Se em épocas de crescimento econômico não foi possível o ganho de um quilômetro sequer, em tempos de crise é que os governos possuem um álibi perfeito para esquecer o projeto do metrô de BH em uma gaveta qualquer.
Enquanto isso, vamos celebrando a nossa incompetência em vagões de trens lotados e sem o menor conforto. Estamos ‘de parabéns’!