Editorial.

Morador de BH perde dias no trânsito

Publicado em 23/09/2016 às 21:38.Atualizado em 15/11/2021 às 20:57.

Imagine se todo o morador de Belo Horizonte ganhasse, por ano, mais seis dias para fazer o que quisesse? Pois esse é o tempo que os motoristas que circulam diariamente podem perder nas ruas e nas avenidas de Belo Horizonte parados no trânsito. 

A conta foi realizada com base na medição feita pela reportagem do Hoje em Dia no trajeto de 11 km pela avenida Cristiano Machado, entre o bairro São Gabriel e o centro da cidade. Foram nada menos que 64 paradas em sinais e engarrafamentos e 18 minutos com o veículo imóvel, quase a metade dos 40 minutos que a equipe levou para completar o percurso. 

Se considerarmos o mesmo número de interrupções no retorno também em horário de pico e multiplicarmos somente pelos dias úteis de 2016 (254), veremos que é quase uma semana de absoluta perda de tempo. E olha que o São Gabriel não é um bairro tão distante da região central da cidade.

Os números ‘batem’ com pesquisa global que mostra que, na capital mineira, o motorista ‘anda e para’ 18.480 vezes por ano. Para se ter uma ideia, se dividirmos esse dado pelo número de dias úteis, são 72 paradas por dia. 

O certo é que o trânsito de Belo Horizonte está chegando em um nível quase insuportável, tanto no sentido de infraestrutura, quando no sentido de saúde do motorista. Estamos pagando o preço de décadas de falta de planejamento ou de não cumprimento do que foi projetado. Ficamos os anos 1990 e 2000 praticamente sem grandes intervenções viárias para acabar com gargalos. A cidade cresceu, os espaços foram ocupados, e, hoje, não há solução barata para o problema. 
O Move pode ter melhorado o sistema de transporte, mas não foi suficiente para que os motoristas de carro deixassem os veículos particulares para utilizar o transporte público. 

Especialistas também cobram vias alternativas para evitar que os veículos tenham que passar pelo centro para cruzar a cidade. Mas esbarra-se, mais uma vez, no custo com desapropriações. Isso deveria ter sido previsto há 30 anos...

Já que o custo será alto, é melhor pensar em soluções de transporte de massa. Somente um transporte público eficiente e confortável poderá convencer os belo-horizontinos abandonarem os carros, deixando a pista livre só para quem precisa mesmo de usar um carro. 
 

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