Em um dia, 407 mortes registradas em todo o país. Números que tristemente se mostram próximos dos registrados por países como Espanha e Itália, já em processo de redução da curva de contágio do novo coronavírus. E que implodem qualquer tipo de observação que procurava encontrar, também no Brasil, indícios de que o pior da pandemia estaria ficando para trás.
Um total que deve ser explicado, já que não necessariamente diz respeito a óbitos de ontem, mas também da confirmação de resultados positivos para casos anteriores, o que tende a ser constante considerando a defasagem no número de testes em relação ao universo de ocorrências suspeitas. Apenas São Paulo, o mais afetado pela Covid-19, conseguiu zerar a fila das análises e, com isso, trabalha agora com as estatísticas diárias.
Estatísticas que escondem rostos, nomes, histórias. Tristes personagens de uma tragédia que colheu o mundo de surpresa, mas que, em alguns países, consegue ser menos letal. Países como a vizinha Argentina que, embora em situação econômica mais delicada (e que, pelo tamanho das comunidades italiana e espanhola na população, com viagens constantes nos dois sentidos, tenderia a ser mais vulnerável), encontrou instrumentos para limitar a disseminação do vírus e lida com um número menor de infectados e mortes. Medidas que passam pela aplicação severa das medidas de isolamento social e pela consciência de que saúde e economia andam de mãos dadas, mas que a segunda não pode vir adiante da primeira.
Se há quem pregue a divulgação de mais notícias positivas (e elas têm ganho seu espaço, até mesmo como fonte de inspiração à população), não se trata de alarme por parte da imprensa, mas de um esforço de conscientização. Num dado momento, o coronavírus era algo distante e parecia se limitar à China. Vieram as primeiras suspeitas; o primeiro caso confirmado, a primeira morte e, em pouco mais de um mês, já são 3.313. Ignorar o risco ou minimizá-lo a todo custo pode gerar uma situação de descontrole previsivelmente trágica, muito mais do que atual. Por isso é fundamental compreender e seguir as determinações das autoridades de saúde e prefeitos no sentido de conter a pandemia. Além de manter o que, a essa altura, dispensa lembrete: higienização caprichada das mãos, uso da máscara quando necessário e distanciamento.