O aumento do nível de ocupação de leitos de UTI na rede pública em todo o Estado e, mais especificamente em Belo Horizonte, traz um cenário de preocupação inédito no contexto da pandemia de Covid-19. Afinal, se os números de casos confirmados e de óbitos provocados pela doença estão distantes de serem insignificantes, até agora foi possível controlar a evolução dos casos e a estrutura de atenção hospitalar com relativa folga. Os percentuais, que mudam diariamente, são o principal indicador da necessidade de adoção de medidas mais rígidas de isolamento social. Não devem ser os únicos, é bem verdade. A incidência do novo coronavírus constitui parâmetro igualmente preocupante, ainda que em boa parte dos casos não se exija cuidados intensivos para recuperação. Quanto mais o vírus circula, maior a probabilidade de ampliação da taxa de contágio, o que, como consequência,</CW> tende a levar à sobrecarga da rede de saúde.
Em se tratando da capital, desde o primeiro momento ficou claro que os eventuais passos numa retomada das atividades econômicas poderiam se dar nas duas direções. Que, diante da ausência de total compreensão do comportamento do vírus, e em meio a muitas questões ainda por responder, seria o caso de buscar um caminho o menos empírico possível mas, ainda assim, baseado, de certo modo, na observação dos movimentos. E que regredir seria sempre uma das possibilidades.
O momento da pandemia na capital deixa claro, como as próprias autoridades já sugerem, que não há como ir além nas próximas etapas previstas para a adoção de uma nova normalidade. Até agora, o embasamento científico e a análise das informações sugeriram uma manutenção das etapas adotadas, continuando ainda fechados espaços como lojas de roupas, clubes, escolas, academias e shopping centers, pelo maior risco de contágio.
Apesar da insistência justificada do discurso, nota-se como ainda são claros os exemplos de negligência da população no que tange às medidas de proteção e prevenção. Que ainda há, pelos mais variados motivos, um movimento que vai de encontro ao comportamento desejado. Deste modo, é bom se preparar para um recuo, sem espaço para qualquer tipo de reclamação ou contestação. Mais do que nunca, cautela e precisão devem dar o tom. Não é hora de ansiedade ou pressão.