Editorial.

Ninguém quer poluição na reta final da eleição

Publicado em 28/09/2018 às 21:10.Atualizado em 10/11/2021 às 02:42.


A campanha eleitoral deste ano, iniciada oficialmente em 16 de agosto, foi marcada pelo curtíssimo período (menos de 40 dias) e pela mudança de foco e de estratégias dos candidatos, em relação a pleitos anteriores. 
Regras de financiamento modificadas, com a proibição de doações de empresas e a consequente limitação de caixa para as ações, além de uma série de limitações às propagandas dos postulantes aos cargos legislativos e executivos, tiveram como contraponto a exploração das possibilidades tecnológicas, com destaque para a Internet.

Com verbas bem abaixo das habituais, as campanhas dispensaram a enormidade de peças gráficas de sempre (santinhos, faixas e bandeiras, por exemplo) para buscar o contato com o eleitorado predominantemente por meio das redes sociais digitais. 

Tal expediente, inclusive, superou em importância o uso do horário gratuito na TV e no rádio, principalmente diante da grande disparidade entre os tempos dos candidatos. Nesta reta final, contudo, parecem estar voltando ao cardápio não apenas o velho e bom corpo a corpo, mas também a distribuição de papeis e o acionamento dos cabos eleitorais com banners, faixas e bandeiras espalhados pelas cidades. 

O intuito é tentar convencer, a poucos dias da abertura das urnas, indecisos e não convictos a fazer ou mudar de opção. Aspectos como o olho no olho, mensagens entregues em mãos, manifestações organizadas de apoiadores nas ruas, tudo isso pode ser muito mais eficaz que o envio de e-mails ou notificações eletrônicas. 

Afinal, por mais que as ações virtuais possam ter ampliado o alcance das campanhas, os modelos tradicionais de divulgação, que incluem até carros de som, têm lugar de destaque nos planejamentos nesse momento derradeiro, na avaliação de cientistas políticos. 

A expectativa, porém, é de que o afã dos candidatos nesta contagem regressiva não se converta em lamentáveis cenas observadas em outras ocasiões. Com certeza, ninguém tem saudades da poluição visual e de toda a sujeira dos materiais de campanha. Que as autoridades eleitorais redobrem a atenção para irregularidades, fiscalizem e punam com rigor quem transgredir o bom senso e a legislação. 

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