A Prefeitura de Belo Horizonte repetiu o recado: qualquer decisão sobre a reabertura de mais setores econômicos será baseada em critérios técnicos. Mesmo assim, não se desfez a expectativa de comerciantes de que, nesta sexta-feira, uma nova etapa de flexibilização seja anunciada - se não liberando mais atividades, ao menos ampliando em um dia a permissão para que quem está aberto possa funcionar.
A pressão pela retomada do comércio vem de diferentes lados, mas, calejado, o município reforça a postura que adotou desde o início da pandemia: se manter portas fechadas é o caminho para evitar (ou reduzir) aglomerações, então que esse remédio, ainda que amargo, seja o prescrito. Desta vez, porém, há chance de que os números da saúde estejam mais favoráveis à economia: até a última sexta-feira, conforme boletim epidemiológico divulgado pela prefeitura, o índice de transmissão da Covid em BH estava em 0,91 – o que coloca o indicador na faixa verde e favorável ao avanço da flexibilização. O alerta surge quando passa de 1.
Nas UTIs, o cenário também parece tender para uma possível ampliação da retomada, já que a ocupação dos leitos, até segunda-feira, estava em 63%, somadas as vagas em hospitais públicos e privados. Só no SUS, a taxa era de 66%, sendo que o alerta é disparado quando o percentual bate 70%.
Com números mais atualizados em mãos, o comitê de enfrentamento à doença na capital começa hoje a discutir se é possível, a partir de critérios científicos, ampliar a abertura do comércio. Do grupo, esperamos o bom senso de sempre, certos de que, se por um lado os dois indicadores que citamos parecem favoráveis, de outro estão números com os quais não devemos jamais nos acostumar: só de segunda-feira para ontem, a capital registrou mais 26 óbitos por Covid, chegando a 839. Foram 26 mortes em um dia - mais de uma por hora.
Que todos - comerciantes, técnicos, clientes, gestores - se lembrem dessas estatísticas ao questionar o que pode ou não reabrir, e quando. E que cada um pese, individualmente, que conduta deve ter para que, em caso de permissão para o funcionamento de mais atividades, isso não signifique um “sinal verde” para abusar, saindo de casa se não for necessário. Ao menos até agora, a história nos mostrou que desafiar o coronavírus não foi, em nenhum lugar do mundo, uma boa ideia.