Editorial.

Números justificam prudência e atenção

Publicado em 03/06/2020 às 20:21.Atualizado em 27/10/2021 às 03:40.


Pela primeira vez desde o início da pandemia de Covid-19 Minas Gerais registra mais de mil casos em um só dia – exatas 1.071 notificações que, é bom que se diga, não necessariamente ocorreram todas na véspera, mas podem ser decorrentes de resultados de testes que estavam pendentes. Algo que as autoridades de saúde creditam em especial, a um maior volume de testagem, que, é bom que se diga, ainda se mostra insuficiente (em número e velocidade) para as condições apresentadas. Ao mesmo tempo, foram 17 óbitos provocados pelo novo coronavírus, o que confirma os estudos pelos quais o pico no Estado foi empurrado e ainda estaria por vir. 

A curva de contágio em Minas segue crescimento bem menos abrupto que o verificado em outros estados; o que, felizmente, numa perspectiva das estatísticas nacionais, confirma efeitos bastante menos trágicos e de certa forma controlados. Por outro lado, chama a atenção o fato de que, em 305 dos 853 municípios do Estado tenham sido registradas mortes; prova inequívoca da interiorização da doença, e da necessidade de uma ação enérgica para frear sua disseminação. Que começa, inclusive, pela análise da realidade local para definir, de forma acurada, as condições para afrouxamento das restrições à circulação e funcionamento de estabelecimentos.

Não por acaso, alguns municípios da Grande BH recuaram de decisões tomadas, algo que não pode ser encarado como erro, mas de ajustes numa caminhada em que ainda há muito a aprender sobre o comportamento do vírus e os desdobramentos da pandemia. Tanto mais levando-se em conta que a postura da população no que concerne ao respeito às medidas de prevenção se mostra fator decisivo para o sucesso de qualquer estratégia de enfrentamento. E este é um dos fatores que mesmo os mais avançados estudos não conseguem prever com exatidão.
Dos números dessa quarta-feira se depreende que é preciso manter a vigilância e não se pode baixar a guarda, sob pena de favorecer a tão temida disparada de casos que colocaria todo o aparato médico-hospitalar sob pressão. Fica cada vez mais claro que a superação da pandemia é um xadrez delicado, em que qualquer peça mexida de forma equivocada pode pôr a perder um esforço de meses.
 

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