Editorial.

O aumento da Aids entre jovens e adolescentes

Publicado em 30/11/2017 às 21:46.Atualizado em 02/11/2021 às 23:58.

Quando surgiu na década de 80, vitimando inclusive astros da TV, do cinema e da música, a Aids provocou pânico e consternação na população. Adolescentes da época certamente se lembram de Freddie Mercury, Cazuza e tantos outros artistas que eram verdadeiros gigantes no palco, se definhando em função daquela doença até então pouco falada e muito temida.

Vieram os tratamentos, a evolução da Medicina e dos remédios, e o prolongamento da vida apesar do vírus HIV. E, aos poucos, aquele bicho-papão parou de meter tanto medo. Passados cerca de 30 anos, o que se vê é uma sociedade despreocupada com os riscos. Tanto é que o número de jovens e idosos infectados pelo vírus HIV cresceu de forma expressiva em Minas na última década. Só entre os adolescentes de 15 a 19 anos, o contágio foi cinco vezes maior, passando de 37 casos, em 2007, para 201, no ano passado. Entre os maiores de 65, os registros triplicaram no mesmo período.

Hoje, quando se celebra o Dia Mundial de Luta contra a Aids, especialistas em saúde garantem que a doença ainda parece uma realidade distante para a maior parte das pessoas. O salto nas notificações vai na contramão das melhores condições de diagnóstico para a terrível doença. O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza à população brasileira os remédios usados no tratamento. As drogas são caríssimas, mas também têm bem menos efeitos colaterais que há alguns anos. O teste para confirmar a contaminação ficou mais rápido.

A informação está para todo o lado. Nas escolas, nas rodas de amigos, na televisão, na internet. Porém, embora jovens e idosos tenham cada vez mais conhecimento, muitos ignoram os riscos e acreditam que não serão contaminados, mesmo diante do sexo desprotegido. É como se aquela doença não fosse mais tão perigosa ou contagiosa. Ledo engano.

Não existe cura para a Aids. E o melhor remédio para ficar longe do vírus HIV ainda é o sexo seguro.
E apesar de todas as mudanças, o preconceito ainda é gigante. Por medo de rejeição, muitas vítimas escondem a infecção como um segredo guardado a sete chaves. A ignorância das pessoas continua a mesma.
 

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