Editorial.

O Coronavírus e uma mudança de paradigma

Publicado em 10/04/2020 às 19:47.Atualizado em 27/10/2021 às 03:15.

O Coronavírus e uma 
mudança de paradigma
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<CW-13>Reza a sabedoria popular que fazer um seguro para o automóvel ou imóvel é pagar por uma eventualidade que não se quer que aconteça. Na prática, uma forma de se antecipar a um cenário negativo de modo a evitar desgastes e prejuízos, nem sempre apenas financeiros. A analogia serve bem para explicar uma mudança de cenário que se impõe diante da pandemia do novo coronavírus: a necessidade de ampliar o guarda-chuva de proteção e previsibilidade, o que pode salvar vidas, mas também empregos e patrimônio.
As medidas tomadas em todo o mundo, assim como lacunas evidenciadas em casos como os dos profissionais de serviços essenciais obrigados a trabalhar sem qualquer tipo de proteção individual em Belo Horizonte, evidenciam o total despreparo para a situação. O que, até certo ponto, não pode ser condenado. Diferentemente de uma tempestade ou outro fenômeno natural, nada, nem ninguém, poderia supor <TB>que uma questão localizada de saúde se tornasse uma preocupação global em questão de meses, ainda que com antecedentes recentes (SARS, MERS, entre outras). Mesmo o arcabouço jurídico, em boa parte, é pensado para situações de normalidade, e não pressupõe regras ou procedimentos para casos de exceção.
Seria absurdo pretender que as leis trouxessem artigos relativos ‘à possibilidade de queda de um meteoro na Terra’, por exemplo. Tampouco esperar que haja capacidade de vigilância em todo o planeta para brecar acontecimentos excepcionais de forma imediata. Mas é preciso aprimorar e investir no conceito de gestão de crise. Adotar medidas capazes de agilizar a comunicação, reduzir a burocracia e facilitar o enfrentamento. Se possível, passar a contar com equipes dedicadas a observar sinais de perigo de modo a conceber respostas rápidas valendo-se de todo o apoio tecnológico disponível.
No âmbito público, algo como uma Defesa Civil ampliada, que não se limite a riscos climáticos e suas consequências, mas também possa atuar em outras frentes. De modo a mexer, com agilidade, as peças de um xadrez crítico e urgente. Não se espera que fatos como os que vivemos sejam recorrentes mas, assim como no caso do seguro, é fundamental contar com um mínimo de proteção e antecipação, para que o custo a pagar não seja elevado demais.
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