O aumento do número de casos de Covid-19 e de internações dos pacientes em situação mais grave em leitos de UTI de Belo Horizonte traz à tona uma questão que vai além do problema estritamente sanitário. Afinal, a subida na curva de contágio embute, consigo, uma elevação do volume de recursos necessário para manter e ampliar a estrutura de enfrentamento especializado. Criar novos leitos é, além de uma tarefa não tão rápida, sinônimo de gastos com equipamento e pessoal especializados, bem como com o custeio de tais unidades. Como mostra reportagem nesta edição, cada dia de emprego de um leito custa, aos cofres públicos, um valor mínimo que passou dos R$ 1,7 mil para R$ 2,3 mil - elevação que permite recorrer à rede privada caso se chegue efetivamente mais próximo de um colapso.
A PBH estima, em R$ 150 milhões, o montante já dispendido nas ações empreendidas na capital. Quantia considerável, tanto mais que não leva em conta colaborações e ajuda da iniciativa privada, diretamente (doação/empréstimo de equipamentos, incluindo ambulâncias, e material como álcool em gel), ou por meio de projetos diretamente nas comunidades vulneráveis. E o cenário de crescimento da incidência do novo coronavírus na capital, ainda que com a perspectiva de redução, uma vez superado o pico, faz com que tais números estejam distantes das contas efetivas para todo o período de calamidade.
É inegável que, diante de uma situação imprevista e cuja dimensão ainda é incerta, o emprego de recursos públicos na saúde tenha que ser visto como prioridade máxima. Por outro lado, é preciso refletir, mais uma vez, sobre o papel da sociedade em momento tão delicado.
Insistir no desrespeito às medidas de prevenção e distanciamento social, ignorar a gravidade da situação no aspecto sanitário e não colaborar para um esforço que deve ser de todos acaba, ainda que de forma indireta, levando a uma elevação dos gastos públicos para com a pandemia. Cria-se as condições para que a disseminação do novo coronavírus não só não cesse, como siga em crescimento. O que levará a mais infectados, mais pacientes em estado grave, mais leitos de UTI ocupados e, por consequência, mais despesas. Se há um discurso que não se aplica para já é o de que cada um é muito pequeno para fazer a diferença.