Editorial.

O perigo de informações falsas na pandemia

Publicado em 18/03/2020 às 20:55.Atualizado em 27/10/2021 às 03:00.

O mundo ainda aprende, de forma dolorosa, a lidar com as consequências da pandemia da Covid-19. Por se tratar de uma nova forma de coronavírus, também as medidas de mitigação de riscos, formas de prevenção e eventuais drogas e vacinas eficazes são algo envolto em interrogações, que vão sendo respondidas ao longo do tempo. 

Há, no entanto, algumas importantes certezas, e é com base nelas que a Organização Mundial de Saúde, governos nacionais, estaduais e municipais têm definido estratégias de enfrentamento, que vem sendo divulgadas de forma didática e objetiva, justamente para evitar interpretações equivocadas. Assim foi, por exemplo, com a recomendação para evitar o Ibuprofeno como profilático para estados gripais ou que sugiram a infecção pelo coronavírus.

Se as redes sociais viram florescer manifestações bem-humoradas – algo que ajuda a trazer descontração em um momento delicado –, mais uma vez acabam também invadidas por notícias falsas. Supostos comunicados de órgãos de saúde, notícias apócrifas citando possíveis antídotos ao vírus, relatos de hospitais abarrotados de pacientes entubados em UTIs; o que estaria sendo escondido da opinião pública. Do mesmo modo, ainda proliferam críticas a um suposto exagero dispensado à pandemia, como se não se tratasse de uma questão global preocupante e séria.

Pelo visto, tragédias anteriores pouco ensinaram. No caso específico de Belo Horizonte, foi assim com os casos de contaminação por dietilenoglicol na cerveja. Da mesma forma, durante o período de temporais e destruição na Região Metropolitana. Cenas antigas, relatos falsos; o desenho de um quadro ainda mais grave do que realmente foi, o que gerou pânico desnecessário e confusão.

Agora, tal tipo de conduta irresponsável é ainda mais séria, considerando que boatos e fake news podem induzir, especialmente os menos instruídos, a adotar posturas equivocadas.

Tal constatação reforça a importância de informação checada, relevante, devidamente tratada por gente acostumada a identificar o que é real. Mesmo o Ministério da Saúde foi obrigado a criar, em sua página, área para esclarecer o falso e o verdadeiro sobre o que circula. Hora de pensar duas vezes antes de embarcar em qualquer mensagem de aplicativo de conversas.
 

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