Editorial.

O PT mais uma vez acuado

Publicado em 20/05/2016 às 17:37.Atualizado em 16/11/2021 às 03:32.

Fazer oposição ao governo interino de Michel Temer não é a única preocupação do PT. Se não conseguir recuperar a gestão de Dilma Rousseff, na votação final do processo de impeachment, o partido terá que centrar forças nas eleições de 2018. Mas, antes disso, enfrenta ainda as investigações e os inquéritos da Polícia Federal. 

Para o país isso não é nada positivo. Se um partido com chances de eleger presidente da República daqui a dois anos está às voltas com problemas desse naipe, o que esperar? Ontem, a Polícia Federal deflagrou a Operação Janus, de contratos da construtora Odebrecht com Taiguara Rodrigues dos Santos. O empresário é sobrinho da primeira mulher de Lula e sócio da Exergia Brasil. 

Ou seja, mais uma vez, o ex-presidente tem motivos para se preocupar, embora não seja o foco da Janus. O líder petista é citado por tráfego de influência e lavagem de dinheiro junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), conforme denúncia do Ministério Público Federal (MPF). 

O que resta, então, aos petistas? O partido não pode, logicamente, esperar o fim das investigações. Precisa agir, seja no Congresso Nacional como oposição ao governo interino de Michel Temer, seja em contato com o seu eleitorado para fortalecer a intenção de eleição em 2018. O próprio Lula pode ser candidato e, apesar das restrições que está tendo coma Justiça Federal, e do comprometimento moral de tantos que fizeram parte de seu governo, é um nome forte. Hoje, a presidente Dilma Rousseff participa de encontro de blogueiros em Belo Horizonte, num ato de apoio ao seu retorno ao Palácio do Planalto. 

Resta ao governo de Michel Temer acompanhar os desdobramentos do PT e dos seus líderes – a presidente afastada Dilma Rousseff e Lula, não se deixando afetar, embora isso não seja fácil. Engana-se quem pensa ser possível compor um governo com equipe técnica, considerando apenas a formação e capacidade de cada ministro. Michel Temer, talvez mais do que outros presidentes, pela situação de interinidade, precisa de todo apoio político de que possa se cercar. 

O que interessa para os brasileiros é que nem uma coisa nem outra afete a sua realidade. O país precisa crescer e não pode ficar refém de políticos que, ora estão envolvidos com a Justiça, ora estão deixando a competência de sua equipe para focar tão-somente no político. 

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