As sextas-feiras se tornaram, nas últimas semanas, sinônimo de ansiedade e expectativa em Belo Horizonte. O dia foi escolhido pelo prefeito da capital, Alexandre Kalil (PSD), para anunciar os próximos passos no processo de retomada das atividades e afrouxamento do isolamento social. Passos esses que, como se viu na semana passada, podem não ser passo algum, ao se optar pela manutenção das etapas já implantadas. Mas que também poderiam ser em recuo - possibilidade que, felizmente, integra o planejamento desde o primeiro momento.
Há forte pressão dos mais variados setores econômicos por uma aceleração na reabertura, o que é lógico considerando o impacto devastador da pandemia de Covid-19 também para a economia. Apresenta-se soluções para aumentar a proteção de empregados e clientes; adota-se protocolos rigorosos na tentativa de conter a disseminação do vírus na cidade, mas é preciso pensar além. Não se trata apenas de reabrir lojas e centros comerciais. Há os deslocamentos no transporte público; as aglomerações decorrentes e uma série de outros fatores que devem ser pesados com rigor científico antes de uma nova decisão. O distanciamento e as restrições foram capazes de frear números mais trágicos e qualquer descontrole em um novo cenário poderia comprometer todo o esforço feito até aqui.
Existe ainda a condição claustrofóbica de quem se vê enclausurado em casa à espera da possibilidade de retomar, sem desrespeitar qualquer determinação, costumes simples como caminhadas e exercícios ao ar livre, de preferência em locais de menor circulação. O que, passados mais de 70 dias da quarentena, fará bem ao espírito, tanto quanto ao corpo. Diante do triste cenário nacional, é o caso de dizer que BH e suas autoridades têm lidado de forma responsável com a pandemia, algo que não ocorre em todas as capitais do país, por mazelas específicas.
É preciso levar sempre em conta que não se trata apenas de usar a caneta para assinar algum decreto ou decidir de forma política. Há um comitê de especialistas reconhecidos em saúde analisando dados, monitorando efeitos, estudando possíveis cenários e implicações. Como bem diz o texto de uma mensagem publicitária, ‘ninguém, mais do que a PBH, quer ver a cidade voltar ao normal’. Que isso ocorra de forma consciente e irreversível.