Editorial.

O saldo das chuvas e o tempo da paciência

Publicado em 18/02/2020 às 20:52.Atualizado em 27/10/2021 às 02:40.

Quando das pancadas de chuva recordes em Belo Horizonte durante o mês de janeiro, o prefeito Alexandre Kalil (PSD) pediu, à população, paciência, diante dos efeitos devastadores provocados em diversas regiões da cidade. 

Àquela altura ainda não havia a exata dimensão dos estragos provocados em termos de obras e intervenções necessárias. O que já estava definido, por outro lado, era o planejamento para iniciar os trabalhos de maior monta apenas quando do período de estiagem.

Levantamento da Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) quantifica em 1.500 os pontos na cidade que exigem obras em níveis dos mais variados – do simples reasfaltamento à recuperação completa – e há ruas e avenidas; encostas, redes de drenagem, bem como inúmeras peças do mobiliário urbano destruídas.

O belorizontino tem vivido a situação na pele – ruas esburacadas e asfalto arrancado são, talvez, a lembrança mais palpável do que foi a violência inédita das águas neste começo de ano. Em algumas avenidas, o cenário chega a ser perigoso para pedestres e veículos.

Felizmente a cidade consegue responder bem à circunstância complicada e, na medida do possível, retomou a rotina. À espera do tempo seco que permitirá as ações de grande porte, mais do que nunca fundamentais, e capazes de impedir que tamanha destruição se repita.

Máquinas pesadas, interdições, desvios e operários em ação farão parte da paisagem por um bom tempo. Se, no que diz respeito às intervenções emergenciais, muito já começou a ser feito – e é importante que o trabalho se desenrole sem apuros, para que efetuado com qualidade –, a burocracia e o apuro necessários para os projetos de maior monta apontam para uma mobilização que se estenderá pelo segundo semestre.

Neste caso, como pede um especialista, espera-se que haja ‘conversa com a boa engenharia’, pensando a curto e médio prazo, se é verdade que alguns dos preceitos necessários para a escolha de soluções adequadas à metrópole foram ignorados nas últimas duas décadas.

Diante do que se viveu nesses primeiros 50 dias de 2020 na capital – e o alerta para novos temporais prossegue –, o período de paciência é um preço justo a pagar, especialmente considerando os efeitos positivos esperados.
 

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