Editorial.

O turismo merece atenção especial no pós-pandemia



Publicado em 04/05/2020 às 09:33.Atualizado em 27/10/2021 às 03:25.

Se todos os setores da atividade econômica foram impactados pela pandemia do novo coronavírus, para um, em especial, os efeitos foram devastadores: o do turismo. Que se difere dos demais pela sua natureza (algo parecido pode ser dito dos bares). As lojas de bens de consumo podem tentar driblar as limitações com as vendas online e, uma vez de volta à rotina normal, terão a chance de girar estoques e buscar liquidez para alavancar um recuperação, ainda que num quadro previsivelmente recessivo.

Não é o que acontece com o turismo. Que depende, acima de tudo, de um quebra-cabeça mais amplo, envolvendo as condições da pandemia e as eventuais restrições de deslocamentos pelo mundo. Será necessário aguardar pela reconstrução de uma malha aérea mais abrangente; pela reabertura de divisas e fronteiras e, acima de tudo, por medidas de prevenção que garantam que o vírus não viaje junto.

Hoje os agentes de viagens se limitam ao já louvável esforço para remarcar pacotes, hospedagens e deslocamentos adiados pela Covid-19, mesmo em meio a várias incertezas. E felizmente a grande maioria dos passageiros atende o apelo de não cancelar seus passeios. Mas, do ponto de vista do fluxo econômico no setor, é como enxugar gelo. Trata-se de medida paliativa para evitar prejuízos ainda maiores, que não gera qualquer injeção de recursos nos respectivos caixas.

É inquestionável que a pandemia vai mudar para sempre alguns conceitos envolvendo o turismo e exigir adaptações. Deve, no entanto, se manter o setor como um dos instrumentos para a retomada econômica dos municípios que dele dependem. É difícil imaginar o futuro de regiões como o Circuito das Águas; cidades históricas como São João del-Rei e Tiradentes, sem o aporte na arrecadação provocado pela movimentação de turistas.

As pesquisas apontam para a busca de destinos próximos de casa num primeiro momento. Que se trabalhe para abraçar tal tendência, tanto mais que o longo período de isolamento social sugere o desejo de ampliar horizontes logo que possível. Por sua vez, operadores de viagens; setores hoteleiro; de bares e restaurantes e transportadores interestaduais e intermunicipais devem ter o acesso ao crédito facilitado; bem como ser objeto de políticas públicas de fomento e incentivo em tempos tão difíceis.

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