Editorial.

Ocupação de leitos de UTI deve ser um alerta

Publicado em 17/06/2020 às 06:52.Atualizado em 27/10/2021 às 03:47.

Os números do monitoramento da Secretaria de Estado de Saúde sobre a pandemia em Minas revelam uma realidade preocupante para além dos totais de infectados e de óbitos. Em nada menos que metade das macrorregiões nas quais o território é dividido para efeitos de atenção médica estadual, a ocupação de leitos de UTI passa os 90%, o que já seria suficiente para configurar condição de colapso. Pior ainda, em cinco delas - Jequitinhonha, Leste, Nordeste, Triângulo Norte e Vale do Aço - o índice chega aos 100%. O que, na prática, representaria portas fechadas para os casos que exijam atenção intensiva, e a necessidade de recurso a outros centros em condição mais favorável. 

É bom que se explique que tais estatísticas somam as internações provocadas pela Covid-19 com as demais condições clínicas. Por um lado, toda uma rede de suporte com possibilidade de uso de leitos no hospital de campanha do Expominas, ou mesmo em hospitais da Rede Fhemig, está à disposição para um cenário de sobrecarga. Transportando as estatísticas para o Estado como um todo, o índice é ligeiramente superior a 72%, o que, longe de ser percentual folgado, proporciona alguma tranquilidade no enfrentamento à pandemia.

Por outro lado, é fundamental ir além de uma questão imediata e, espera-se, temporária, que fez com que tal estrutura fosse colocada à prova. Em boa parte destas macrorregiões, as internações em UTIs pelo novo coronavírus não chegam a 20% do total. O que faz depreender que, afora a enfermidade, tais municípios já operam numa capacidade superior a 80% de demanda que, esta, tende a ser contínua no pós-pandemia.
<CW30>É fundamental analisar de forma criteriosa o vasto retrato proporcionado para rever a necessidade de reforço em algumas destas regiões, nas quais a oferta é limitada. Nelas, o limite chegou rapidamente porque é tênue. Entende-se, antes de mais nada, que, especialmente num cenário financeiro difícil, é preciso calibrar as ações para que sejam efetivas. De nada adianta criar leitos que não venham a ser demandados e caiam em desuso. Além disso, o sistema de consórcios regionais de saúde foi concebido de forma a disciplinar o atendimento. Mas é fundamental identificar as realidades regionais para corrigir eventuais gargalos.
 

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