Editorial.

OMS de pires na mão

Publicado em 18/06/2016 às 06:00.Atualizado em 16/11/2021 às 03:56.

Em fevereiro deste ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou emergência internacional por microcefalia, má-formação que tem se expandido no mundo em função da epidemia do zika vírus.

Na ocasião e em outros momentos, a OMS pediu aos governos de todo o mundo recursos para combater a doença. A verba seria direcionada para custear pesquisas que tentem desvendar a relação entre o vírus e os casos de bebês nascidos com microcefalia. Mas, o apelo foi atendido em menos de 10% do valor total de que necessitava a instituição.

Acontece que, com o passar dos meses e a falta de dinheiro para as ações efetivas no intuito de reduzir o impacto da doença sobre as gerações futuras, a epidemia se expandiu, fez novas vítimas e afetou pelo resto da vida milhares de famílias.

Ontem, por mais uma vez, a OMS clamou por verbas aos governos (mais precisamente US$ 121,9 milhões) para colocar em prática um novo plano estratégico contra a zika até o fim do ano que vem.

Até agora, conseguiu US$ 4 milhões... Difícil entender as prioridades impostas por governos que veem tantos cidadãos sofrendo as consequência deste mal.

O vírus da Zika se expandiu rapidamente na América Latina e Caribe nos últimos meses. Especialistas advertiram que os EUA provavelmente registrarão um aumento de caos no início do verão no Hemisfério Norte

Já foi constatado pela organização que o vírus zika continuará em expansão e que também constitui uma emergência internacional. Como o mosquito Aedes aegypti está presente em várias regiões do mundo, não há como deter a proliferação da doença e também dos vetores.

Basta pensar nos graves problemas de saneamento básico que se têm no Brasil, que favorecem a ampliação dos criadouros e, em consequência, a proliferação dos mosquitos.

E essa situação do saneamento se repete em outras partes do mundo em países pobres da Ásia e da África, que têm a presença do vetor.

Não só a falta de estrutura sanitária é apontada pela OMS como responsável pela multiplicação do Aedes, mas, também, a falta de acesso a serviços de saúde de qualidade e de informações básicas de prevenção é determinante para potencializar a transmissão da doença e o aumento da população de mosquitos.

O plano estratégico desenhado pela OMS vai mobilizar cerca de 60 parceiros internacionais para, além de reforçar o combate, desenvolver pesquisas para buscar uma vacina e, também, criar testes que detectem a doença, assim como já existe o de detecção da dengue.

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