Editorial.

Os furtos nos ônibus e o papel de cada um

Publicado em 04/03/2020 às 19:07.Atualizado em 27/10/2021 às 02:50.

Um aumento de 46% na comparação entre 2018 e 2019. As estatísticas do volume de furtos registrados nos ônibus do transporte coletivo de Belo Horizonte trazem motivo para preocupação e reflexão. 

Tanto mais quando se leva em conta que, no mesmo período, houve redução de 20 milhões de viagens. Fenômeno explicado, entre outros, pela proliferação dos aplicativos de transporte; a adoção de meios de deslocamento não poluentes (bicicleta, patinetes), bem como uma sensação de piora na prestação de serviço, com a retirada dos cobradores de boa parte dos coletivos.

Por furtos, entende-se a ação de ladrões sem uso de violência, mas aproveitando-se de descuido. Algo tão mais comum em tempos de uso desmesurado dos smartphones que, muitas vezes, acabam levando os donos a se abstrair da realidade em seu entorno. Quando não são os próprios aparelhos o alvo dos amigos do alheio, leva-se carteiras, documentos, o que haja no interior de bolsas e mochilas.

Como muitas vezes as vítimas demoram a se dar conta de que foram subtraídas, torna-se mais complicado registrar ocorrência e, principalmente, identificar os responsáveis. Ações desse tipo muitas vezes passam alheias, inclusive, às câmeras de segurança que têm presença obrigatória nos ônibus sob responsabilidade da BHTrans.

É lógico que a redução do número de furtos passa por uma ação mais ostensiva das forças de segurança, não só em termos de presença, como de inteligência. O monitoramento das linhas com maior número de registros, horários, formas de atuação e itens mais roubados. Um trabalho, no entanto, que não necessariamente traz resultados imediatos – pode, sim, inibir a prática a médio e longo prazo.

Torna-se fundamental, na verdade, que o próprio passageiro se proteja, adotando todo o tipo de cautela possível. Dificultar o acesso a objetos de valor; abrigar bolsas e mochilas próximas ao corpo e, especialmente, não se deixar levar pela distração convidativa do celular. A dificuldade em conseguir algo é uma resposta importante para desencorajar este tipo de ação. Em situações nas quais a violência não é aplicada, a atenção constante é grande fator inibidor, e caminho para reduzir as estatísticas como se espera.
 

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