Ao comentar nesta terça-feira a polêmica criada pelo projeto de lei que recompõe as perdas salariais dos servidores da área da Segurança Pública, o secretário de estado de Governo, Bilac Pinto, creditou, à mídia, o “estardalhaço” provocado pela proposta. Que, aliás, foi aprovada pela Assembleia Legislativa com o acréscimo de emenda que estendeu o reajuste a outras áreas do Executivo, como a da educação.
Não se trata do primeiro caso. Infelizmente, tornou-se prática comum, nas esferas de governo em todo o país, desacreditar o trabalho da imprensa como ela tivesse interesses contrários aos da administração pública. Como se fizesse apenas propagar mentiras ou exageros.
Antes de mais nada, cumpre lembrar que o próprio secretário, em entrevista após ser ouvido pela Comissão de Segurança Pública da Assembleia, preferiu se referir ao projeto como de aumento, e não recomposição de perdas salariais acumuladas, que, elas sim, justificam sua edição. Neste aspecto, não haveria motivo para condenar tal proposta, tanto mais por se tratar de área fundamental para o bom funcionamento do estado.
Cumpre, no entanto, questionar potenciais efeitos nas contas já combalidas de Minas; considerar as demais parcelas do funcionalismo e, acima de tudo, dar voz a comentários e críticas que não vieram da imprensa, mas foram apenas veiculados por ela. Temores de que tal situação provocasse uma reação em cadeia nos demais estados, criando situações de risco tais como as verificadas no Ceará.
Neste aspecto, se pronunciaram governadores e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Protagonistas relevantes da cena política nacional, cuja opinião tem peso e justifica a reflexão.
Desacreditar o trabalho da imprensa e renegar seu papel de aliada do cidadão – que na maioria das vezes não pode fazer seus questionamentos diretamente senão por meio dela –, é ir contra o direito à informação democrática e plural; o contraditório; uma fiscalização responsável que nada tem de quarto poder. Qualquer jornalista recém-formado sabe que a natureza de seu trabalho não pressupõe agradar a quem é noticiado. Da mesma forma, não há governos e organizações isentos de erros e falhas, e é fundamental que estes venham à tona para a construção de uma sociedade melhor.