Os setores de serviços e comércio reúnem a maior parte das empresas do país, e, consequentemente, a maior parte dos postos de trabalho. Portanto, qualquer problema que esses dois setores atravessam causa um impacto grande em milhões de famílias.
Dessas áreas, a de serviços é sempre a última a sentir os impactos de uma crise. É tido pelos economistas como o “setor da resistência” a problemas econômicos. É que ele envolve algumas das empresas e dos empregos essenciais para a manutenção de atividades importantes do dia a dia da iniciativa privada e também de pessoas físicas – segurança, alimentação, transporte, reformas de imóveis, consultorias, etc. Se as empresas que prestam serviços mais básicos são atingidas, é sinal de que as empresas dos outros setores da economia já deixaram o nível de reduzir a atividade e passaram a fechar as portas mesmo.
Pois as informações que trazemos na edição de hoje não são nada animadoras. As empresas de serviços ultrapassaram as de comércio no ranking da inadimplência. Ou seja, é o setor mais endividado hoje no país. São mais de R$ 106 bilhões em dívidas, mais do que o orçamento do Estado de Minas Gerais para 2016, que é de R$ 83 bilhões.
Os empresários colocam a culpa no desemprego. Segundo eles, com a queda da renda, as pessoas estão deixando de contratar os serviços para garantir, primeiro, a sobrevivência de negócios e da própria família. Um empresário ouvido na reportagem revela que tem a receber cerca de R$ 30 mil de clientes.
Não há dinheiro para todos, e, infelizmente, haverá uma concorrência cada vez maior pelo pouco que resta, e muitas empresas correm sério risco de fechar, causando ainda mais desemprego. Estamos no chamado ciclo vicioso.
Para a melhoria da situação não há uma receita mágica. Apenas a retomada do ritmo da economia fará com que os postos de trabalho sejam reabertos e as pessoas voltem a contar com esses serviços.
Ou podemos também esperar uma ação do governo para implantar medias para interrompendo, pelo menos até que a prometida volta da atividade econômica seja concretizada na prática. Porque até agora, com o “novo” governo, o Brasil pode ter chegado ao fundo do poço, mas não conseguiu ainda puxar a corda para iniciar a subida de volta à superfície.