No início da semana, reportagem deste jornal trouxe informações desalentadoras sobre as contínuas agressões ao patrimônio público de Belo Horizonte.
Os casos de pichação em muros e estruturas do sistema viário, de destruição de lixeiras, de roubos de cabos de semáforos e outros atentados dessa natureza, contabilizados pela Guarda Municipal, vinham se multiplicando. Até agosto, já superavam as ocorrências em todo o ano passado.
Segundo as autoridades, boa parte dos registros tinham como responsáveis moradores em situação de rua, sobretudo nos furtos de fios de cobre, vendidos a receptadores ou trocados por drogas como o crack.
Agora, poucos dias depois, infelizmente, a realidade impõe que o assunto seja retomado. E com agravantes: além de equipamentos urbanos que não necessariamente possuem valor histórico, mas que são fundamentais ao bom funcionamento da metrópole, cada vez mais construções que engrandecem o cenário cultural de BH têm sido alvo de vandalismo.
É o caso da Praça Rui Barbosa, ou Praça da Estação, tombada pelo patrimônio histórico e cujo conjunto arquitetônico remonta aos primórdios da cidade.
No local, palco de tantos momentos importantes, como a campanha das “Diretas Já”, além de inúmeras outras manifestações políticas, artísticas e de lazer, os pilares de sustentação da iluminação tornaram-se depósito de entulho e objetos pessoais de moradores de rua.
Peças de mármore foram arrancadas para criar estruturas parecidas com guarda-roupas. Nos buracos, encontram-se roupas, pedaços de pano, cobertores, garrafas, sacolas e outros pertences, além de muito lixo orgânico.
Questionado sobre o problema, o Iepha-MG, responsável pelo tombamento da praça, informou que fará vistoria na área para avaliar os danos e definir as providências para a recuperação e preservação do patrimônio.
Mas tais medidas pouco adiantarão se não houver providências também quanto à raiz da questão: a presença constante, ali, dos agressores do patrimônio.
Trata-se, na verdade, de um desafio econômico e social, que só será vencido com políticas públicas de acolhimento e de oferta de alternativas a essas pessoas.