Em 7 de setembro deste ano, na noite do feriado da Independência, logo após mais uma tragédia no Anel Rodoviário, que resultou na morte de três pessoas, o prefeito Alexandre Kalil (PHS) recorreu ao seu perfil no Twiitter para expressar indignação com o acontecido. “Esta é a nota oficial da Prefeitura sobre mais um assassinato no Anel Rodoviário”, foi a frase que abria a publicação.
Nela, o prefeito dizia que a Procuradoria Geral do Município de Belo Horizonte iria entrar com Ação Civil Pública contra a União e a concessionária Via 040, reivindicando a administração do Anel Rodoviário para a capital, com a transferência dos recursos federais desta manutenção para a Prefeitura.
Na ocasião, o prefeito também disse que a Procuradoria iria interpor representação criminal contra o diretor geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes – DNIT, por negligência.
Passados mais de dois meses daquela tragédia, Kalil chamou a imprensa para informar que o Anel Rodoviário de Belo Horizonte vai ganhar um plano emergencial. E a primeira ação prevista será a restrição da passagem de veículos de carga durante uma parte do dia.
Segundo declarou o prefeito, na próxima quarta haverá uma nova reunião entre PBH, Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) e Polícia Militar Rodoviária para fazer o planejamento das alterações. Ainda não há data definida para que a medida seja implantada.
O plano inicial é que a restrição para caminhões ocorra no horário de pico e entre o bairro Olhos D’agua e a avenida Amazonas, o equivalente a oito quilômetros de extensão. O trecho é um dos mais críticos da via. Segundo dados da Polícia Rodoviária Militar, os acidentes neste ano já geraram 756 feridos e 27 mortes. Vidas perdidas e famílias inteiras destroçadas para sempre.
No entanto, a restrição de circulação de veículos de cargas no Anel pode esbarrar em uma série de fatores. A falta de rotas alternativas e até mesmo de áreas para que os caminhões fiquem parados são algumas delas, segundo especialistas em trânsito.
Os entraves para colocar o plano em prática são muitos. As transportadoras, por exemplo, serão prejudicadas. E o caso pode parar até na Justiça. Mas em uma coisa todo mundo concorda. Não dá mais para aceitar tantas mortes em uma via que corta a cidade de Belo Horizonte.