A pandemia de Covid-19 apenas amplificou um problema que já vinha afligindo quem depende do INSS para resolver suas questões previdenciárias. Nos últimos anos as demandas se acumulam no órgão, incapaz de dar andamento no prazo legal ao andamento burocrático para a concessão de benefícios. Algo tão mais grave considerando casos como os do auxílio-doença, cuja urgência é redobrada. Depois de uma queda de braço diante da possibilidade de contratação de militares da reserva, só resolvida quando funcionários igualmente aposentados da Previdência foram incluídos na força-tarefa, imaginava-se que a longa fila pudesse, enfim, ser regularizada.
A crise sanitária, no entanto, fez com que todo o atendimento a segurados e beneficiários tivesse de ocorrer por meio virtual. Assim seria entre 20 de março e 30 de abril; em seguida prosseguiu para 19 de junho e, com o novo coronavírus ainda como foco de preocupação, passa a agora a 10 de julho. E como aconteceu com boa parte das atividades promovidas pelo poder público (e não só), o cenário obrigou a mudanças e ajustes imprevistos e acelerados. Assim como se vê na administração dos pagamentos do Benefício Emergencial, verificam-se erros, inconsistências e contribuintes impossibilitados de acessar os serviços de que necessitam.
Mais um exemplo de que é preciso ter cautela e atenção ao se considerar a realidade média brasileira e o acesso à tecnologia. Pesquisas recentes mostram que, em Minas Gerais, 3 a cada 10 pessoas não estão conectadas; uma realidade tanto mais presente nas cidades menores e distantes dos grandes centros. Se para 70% da população o atendimento virtual pode ser uma realidade - e as soluções encontradas pelo INSS de modo a mitigar as dificuldades atuais são elogiadas pelos especialistas -, é necessário ir além, e conceber modos de não deixar desamparados os demais.
É fundamental que o Governo Federal aproveite a oportunidade criada pelo cadastramento de dezenas de milhões de pessoas antes invisíveis do ponto de vista legal para o recebimento do Benefício Emergencial e se valhe de tais informações para unificar suas bases de dados. Por outro lado, que não se deixe em segundo plano a atenção presencial a quem mais precisa.