Problema repetido, e
cada vez mais relevante
A pesquisa feita pelo Sindilojas (que reúne mais de 32 mil lojistas de variados setores em Belo Horizonte) e outros sindicatos do comércio de 25 cidades mineiras sobre a dificuldade de obtenção de crédito junto aos bancos nos últimos meses dá números e dimensão a um problema detectado tão logo foram sentidos os impactos econômicos da pandemia de Covid-19. Com vendas suspensas, ou reduzidas; necessidade de contar com fluxo de caixa para as despesas de manutenção dos negócios e financiar a folha de pagamento, o empresariado - em especial médios e pequenos - lida com uma situação de oferta teórica suficiente, mas de concessão dificultada. O dinheiro que existe nos anúncios do Governo Federal e nos programas lançados para tentar atender a demanda não aparece na boca do caixa.
Burocracia, juros elevados e contrapartidas exigidas pelas instituições financeiras são apontados como os principais entraves à liberação dos empréstimos, buscados por 53% das empresas pesquisadas. Nos bancos privados, menos de 10% das solicitações feitas foram atendidas. No BNDES e nos programas federais (Pronampe e Proger), o percentual não chega a 1%. E a realidade vivida em Minas não é diferente das dos demais estados.
Programas privados como o Estímulo 2020, que surgiu em São Paulo e ganhou uma versão mineira com recursos injetados por grandes empresas do Estado, infelizmente, são insuficientes para atender o universo de empresas em situação delicada. Assim como na questão da renda mínima, o enfrentamento do momento de dificuldade para os setores econômicos deve ser administrado e equacionado pelo Governo Federal que, se lança iniciativas, não alcança o objetivo esperado.
É preciso fornecer instrumentos para mitigar a preocupação das instituições financeiras, reticentes em assumir o risco da inadimplência decorrente de um momento de desfecho imprevisível. Infelizmente, anos de relacionamento, ou o potencial de movimentação de recursos por parte das empresas dos mais variados tamanhos agora contam pouco. Cumpre então, às autoridades econômicas, assumir ao menos parte de tal risco, com instrumentos que protejam os dois lados envolvidos. De nada adianta pensar em retomada da economia se boa parte de sua força se esvai em meio ao estrangulamento do crédito.