Editorial.

Quando a polícia se torna também criminosa

Publicado em 06/03/2020 às 18:34.Atualizado em 27/10/2021 às 02:52.

A deflagração da Operação Hexagrama, que prendeu 14 pessoas envolvidas com a operação de jogos de azar proibidos pela legislação brasileira, além de indícios de lavagem de dinheiro e participação em homicídio traz um fator preocupante: o envolvimento de policiais civis e militares. 

Algo cada vez mais comum no noticiário de grandes cidades – basta constatar a ação das milícias no Rio de Janeiro, grupos paramilitares que, com ex-agentes de segurança em seu comando, assumem as funções do estado em bairros e regiões menos favorecidas, lucrando com taxas de proteção e o monopólio da prestação de serviços.

A presença de dois investigadores da Polícia Civil e cinco PMs entre os detidos denota uma perigosa participação de quem deveria zelar pela proteção do cidadão, e não aproveitar de sua posição privilegiada para cometer crimes e enriquecer de forma ilícita. Agentes em tal situação possuem acesso a informações privilegiadas, bem como a armamento legalizado e trazem consigo o risco de envolver, ainda que indiretamente, as instituições que representam e deveriam defender.
Se preocupa a atuação dos criminosos de qualquer espécie, mais ainda a de ‘homens da lei’ que se transformam também eles em infratores, valendo-se muitas vezes da influência que possuem.

É bem verdade que em qualquer ramo de atividade há as chamadas ‘maçãs podres’ mas, há de se convir que se está diante de um quadro mais grave; intolerável e de total desvio das atribuições legais, sob pena de desvirtuamento da autoridade legalmente constituída. Assim como um médico ou profissional de saúde jura colocar em primeiro plano a atenção ao semelhante de forma ética, da mesma forma os profissionais da segurança o fazem no que tange à proteção da sociedade e de seus integrantes.

Devem sim ser, todos os profissionais da área, egregiamente valorizados pelo papel que exercem (ou deveriam), mas não pode ser a busca por mais ganhos, tanto mais de forma condenável, uma desculpa para tal desvio de conduta. Cumpre ao Estado seguir identificando comportamentos dessa ordem e cortar na carne sem corporativismo, em nome do respeito às instituições e ao cidadão. Não podem a farda ou o distintivo conviver com o crime, se não como rival a combater.
 

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