Editorial.

Que venha o Carnaval. E que seja mesmo de todos

Publicado em 21/02/2020 às 19:54.Atualizado em 27/10/2021 às 02:42.

Na prática, a folia já ganhou as ruas de Belo Horizonte. Aliás, não deixou de estar nelas desde a folia passada, considerando a preparação, ensaios e eventos temporões. Mas, se o que vale é o calendário, o Carnaval começa oficialmente hoje. Com quatro dias em que a ordem é se entregar ao reinado de Momo.
A festa na capital mineira reviveu no melhor espírito do verdadeiro Carnaval. Se os blocos proporcionam a reunião e levam consigo suas mensagens, é possível participar com a própria caracterização, sem pagamentos ou exigências. E há espaço para uma nada condenável infidelidade: é possível engrossar o cortejo das mais variadas agremiações movido apenas por uma energia que parece se multiplicar no período. A animação é o limite.

Não custa reforçar, no entanto, aspectos que de forma alguma devem ser negligenciados ou colocados em segundo plano. A alegria, a descontração e o clima festivo não podem servir de pretexto para comportamentos deploráveis. Como a tentativa de assédio às mulheres, que carrega consigo componentes machistas indignos de tempos de igualdade entre os gêneros. Da mesma forma qualquer manifestação de intolerância racial ou contra minorias. Bem como qualquer iniciativa que vá contra o princípio universal da liberdade de expressão.

Carnaval é espaço democrático, em que opiniões divergentes podem (e devem) conviver em harmonia; classes sociais, raças, sotaques e origens dividir o mesmo espaço. O respeito deve ser a palavra de ordem nos cordões; a vontade de aproveitar a folia, o estímulo. Não se deve perder de vista que a hospitalidade a quem vem de fora é fundamental, como a confirmar a vocação de uma cidade que se abriu a gente de tantas outras em sua história centenária. O fato de não gostar do burburinho não deve, jamais, ser motivo para condenar algo tão espontâneo e brasileiro.

Especialmente este ano, há um grande pretexto para ‘se jogar’. BH viveu um começo de ano complicado, com as chuvas recordes que fustigaram as diversas regiões da cidade; as intoxicações provocadas, ao que indicam as investigações, pela cerveja que, ironicamente, leva o nome dos habitantes da capital, e mesmo o risco do Coronavírus. Problemas ainda há muitos, desafios também, mas podem esperar os quatro dias. Que seja, efetivamente, o Carnaval de todos.
 

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