Ônibus em pouca quantidade em horários normais e superlotados nos momentos de pico, motoristas que param para o embarque e desembarque de passageiros fora dos pontos regulares e a falta de conforto nos veículos.
Esses são alguns dos motivos que levaram moradores da capital a fazer, nos primeiros seis meses deste ano, uma média de quase 40 reclamações diárias contra as empresas do setor.
Foram, ao todo, 7.068 queixas entre janeiro e junho, 14% a mais que no mesmo período do ano passado.
Divulgados nesta edição, os dados, fornecidos pela BHTrans, indicam ainda uma quantidade gigantesca de multas aplicadas às operadoras do sistema, em razão de deficiências.
Só este ano, foram registradas 12.853 infrações – média de 71 por dia. Além disso, a empresa municipal que gerencia o trânsito e o transporte na cidade suspendeu 1.178 autorizações de tráfego das operadoras.
Ouvidos, usuários dos coletivos apontam, entre possíveis causas para a deterioração dos serviços, a recente retirada dos cobradores.
É comum a alegação de que, sem os auxiliares de bordo, os condutores dos veículos ficaram sobrecarregados. Isso, obviamente, gerou repercussões negativas sobre a qualidade do seu desempenho.
Uma das consequências, por exemplo, é o descontrole sobre a lotação dos coletivos. Qualquer pessoa que usa ônibus na cidade sabe que, em horários de maior fluxo de passageiros, as portas costumam ficar abertas enquanto couber gente. O efeito “lata de sardinha”, nesses casos, é inevitável.
Também consta no rol de denúncias a ausência de condições adequadas de circulação em parte da frota da cidade. Ônibus barulhentos, com janelas batendo nas estruturas das carrocerias e outras peças soltas, desconforto e sujeira constante nos coletivos são temas recorrentes.
O sindicato das empresas de ônibus de BH garante que os veículos estão com a manutenção em dia e atribui a “erros de fiscalização” aspectos como o recolhimento de alguns coletivos, este ano.
O fato é que, por mais que a população denuncie irregularidades, e a própria BHTrans fique de olho no setor, aplicando as devidas punições, os problemas parecem não ter fim.