Por diversas vezes a agropecuária foi a salvação da lavoura. Ainda mais em Minas, dona da maior produção de leite e café do país e um dos estados líderes no plantio de soja, milho e feijão, entre outros. Mas agora a história foi diferente. Com retração de mais de 8%, foi justamente o agronegócio quem puxou a queda de 0,7% no PIB de Minas. Os dados são relativos ao 3º trimestre deste ano, na comparação com o 2º trimestre, conforme a Fundação João Pinheiro (FJP), feita a partir de dados do IBGE.
O vilão foi o café, que tem enorme peso para a economia mineira. Uma das explicações para os números ruins é a sazonalidade do produto. O grão alterna anos de produção maior com anos de baixa, o que aconteceu em 2017. Ainda que a produção tenha sido boa, o desempenho excepcional de 2016 não foi superado. Calor excessivo e seca também são apontados como ingredientes que influenciaram a conta final.
Soma-se a isso a redução do preço da commodity. A saca do café arábica, que chegou a ser cotada em R$ 550, no ano passado, era vendida R$ 450 na semana passada. Menos lucro para o produtor e menos dinheiro para fomentar a riqueza do estado.
A boa notícia veio da indústria da transformação, com a terceira alta consecutiva, após um longo e tenebroso inverno provocado pela crise. O crescimento tem sido alavancado pelos subsetores têxteis, de fabricação de máquinas e automotivo, este último estimulado pelas exportações e importante na medida em que impacta segmentos que compõem a cadeia, como autopeças.
No acumulado do ano, a variação positiva no estado é de 0,1%. E passado o pior do tsunami financeiro que se abateu sobre o país e, consequentemente, sobre o estado, a perspectiva dos pesquisadores da FJP é que Minas feche 2017 com crescimento entre 0,3% e 0,5%. Para isso, temos que contar ainda com um empurrãozinho de Papai Noel, já que a economia deve ter o auxílio do setor de serviços graças às vendas de Natal no comércio.
Mas é bom não estourar o champagne. Após o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, bater o martelo e definir que a votação da reforma da Previdência ficará para fevereiro de 2018, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, apressou-se em dizer que, caso a PEC não seja aprovada pelo Congresso, a projeção para o PIB de 2018 cairá de 3,0% para 2,85%.