É justificado o desespero que se abate agora em alguns trabalhadores já em reta final de carreira e que planejam há algum tempo a aposentadoria. Os primeiros termos da Reforma da Previdência divulgados pelo governo fará uma mudança significativa nas regras do chamado regime geral, que atinge a maior parte dos trabalhadores.
O governo promete uma regra de transição para quem tem mais de 50 anos. Quem não tiver chegado a essa idade na data em que a reforma entrar em vigor, vai ter que trabalhar até 65 anos, independentemente do tempo de contribuição. Isso faz com que muita gente esteja fazendo contas pra ver quanto terá que trabalhar a mais, como trazemos hoje na nossa edição, e se vale a pena aposentar pelo famigerado fator previdenciário, que já não é lá uma regra simples e justa com que passou a vida inteira em serviço. Hoje, o trabalhador está entre a brasa e o espeto.
Mais uma vez insistimos que a reforma é necessária para manter a Previdência com saúde financeira, mas não pode ser feita somente mudando as regras para a maioria dos trabalhadores, que ganham menos, e deixar intactas distorções dos regimes especiais, que reúnem geralmente aqueles que ganham, em média, salários melhores. Também não há como fazer uma reforma sem fiscalização rigorosa para cassar os fraudadores e desvios de recursos da Previdência, coisa que o governo disse que já começou.
Instituir apenas uma idade para transição é injusto com milhões de trabalhadores, muitos que começaram cedo a trabalhar e hoje estão perto dos 35 anos de contribuição, mas com menos de 50 anos. O governo precisa estabelecer uma regra de transição que afete outras faixas etárias e que privilegie quem tem maior tempo de contribuição. Muitas ainda sim trabalhariam por mais tempo, mas nem perto de um aumento de 14 ou 15 anos ma jornada.
Sabemos que o brasileiro deixa tudo para última hora. Caso essa regra que está sendo proposta hoje seja aprovada, milhões de pessoas poderão solicitar a aposentadoria antecipadamente, piorando ainda mais o déficit do sistema. Em vez de solução, a reforma com regras tão simples e prejudiciais ao trabalhador agravaria ainda mais a situação. Seria um tiro no pé.