Editorial.

Rendimento médio dos domicílios preocupa

Publicado em 28/02/2020 às 20:23.Atualizado em 27/10/2021 às 02:47.

Os dados da mais recente edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) do IBGE mostrados nesta edição revelam que, em 2019, o rendimento médio per capita dos domicílios brasileiros ficou em R$ 1.438,67, 44% acima do salário mínimo pago no período. A estimativa, é bom que se diga, leva em conta todas as fontes de pagamento – rendimentos do trabalho assalariado, aposentadorias, entre outros.

Trazendo o levantamento para a realidade do Estado, chama a atenção o fato de que, em Minas Gerais, o valor apurado (R$ 1.357,59) não só é inferior à média nacional, como também o mais baixo da Região Sudeste. E o décimo entre os estados e o Distrito Federal.

Constatação em nada condizente com o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do país; um estado que não só está dotado de um moderno parque industrial, como mantém a pujança agrícola e extrativa, mesmo com os reflexos das tragédias recentes envolvendo a atividade mineradora. E assume posição de protagonismo no que diz respeito às novas tecnologias por meio de startups e fintechs.

É sempre necessário lembrar que, como dizia Guimarães Rosa, “Minas são muitas”. A realidade do Vale do Jequitinhonha e de boa parte do Norte ainda é mais próxima da de boa parte dos estados nordestinos que do Sudeste, por óbvias e conhecidas limitações climáticas e geográficas. Em que pese avanços recentes e investimentos na infraestrutura local.

Ainda assim, como se considera a média, o número se mostra mais do que preocupante. Evidencia uma combinação de patamares salariais inferiores ao pagos nos nove estados à frente da lista; o peso do desemprego e, em certa medida, dos índices cada vez maiores de informalidade.

Os efeitos de tal constatação vão além do mais óbvio, que é a queda no volume de repasses do Fundo de Participação dos Estados pelo Governo Federal, para os quais a PNAD é a referência. Se as pessoas ganham menos, tendem a consumir menos, o que gera menor arrecadação de impostos e favorece um quadro de recessão.

Deve, portanto, mais que nunca, ser prioridade a busca de estratégias capazes de gerar emprego, qualificar a força de trabalho e superar eventuais gargalos e limitações.
 

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por