O crescente número de infrações de trânsito detectadas por radares em Belo Horizonte deveria ser motivo mais que suficiente para que motoristas da cidade tirassem, de vez, o pé do acelerador.
De janeiro a setembro, foram 347 mil multas aplicadas pelos aparelhos eletrônicos em algumas das principais vias da capital. Todas elas por desrespeito aos limites de velocidade.
O campeão em flagras, no período, é o equipamento instalado na avenida Cristiano Machado, antes do viaduto Abgar Renault, na altura do bairro da Graça.
No trecho, foram 11.321 infrações de pessoas que transitavam acima de 60km/h. Isso significa uma média de 94 ocorrências diárias.
O segundo colocado fica a 10 quilômetros dali, na avenida Carlos Luz, perto da entrada d a UFMG, no sentido Mineirão. Nos primeiros nove meses do ano, 9.739 veículos foram detectados quando trafegavam também acima dos 60 km/h.
O que se observa nesses locais – e em boa parte das vias onde estão posicionados os mais de 100 radares sob responsabilidade da BHTrans – é que a maioria dos motoristas sabe da presença dos aparelhos. Aliás, há sinalização para todos, mesmo que os mais recentes ainda possam não ter totalmente conhecidos.
Infelizmente, contudo, a tendência dos condutores é a de adotar uma prática comum e extremamente perigosa: a de reduzir a velocidade ao se aproximar dos trechos vigiados e, em seguida, voltar a acelerar – o que nem sempre é suficiente para evitar o registro das infrações.
De qualquer forma, a sensação que fica é a de que, como ocorre em outras situações cotidianas, as pessoas estão muito mais preocupadas com eventuais punições que possam sofrer do que com as regras criadas para evitar abusos. É exatamente este o caso do controle de velocidade: o que se pretende é garantir a segurança no trânsito.
Deve-se lembrar, ainda, que tal segurança diz respeito, inclusive, a quem infringe as determinações. Afinal, a 50 km/h, segundo especialistas, o risco de o passageiro dianteiro de um veículo sofrer lesões graves, mesmo usando o cinto de segurança, por exemplo, é três vezes maior que a 30 km/h.
Fato é que, quanto maior a velocidade, maiores as chances de danos, aos veículos, aos ocupantes e aos pedestres, também vítimas constantes da irresponsabilidade de quem está ao volante. A existência de radares em determinados locais, portanto, pode até ser questionada, mas a lei, não.