Editorial.

Respeito ao idoso deve ir do discurso à prática

Publicado em 23/11/2018 às 21:53.Atualizado em 28/10/2021 às 02:10.

No mês passado, o Estatuto do Idoso, documento que consolidou direitos básicos de cidadania já constitucionalmente previstos e reuniu uma série de medidas para a proteção às pessoas de mais de 60 anos no país, completou 15 anos de vigência. Reportagem desta edição mostra, contudo, que o efeito pretendido pela legislação ainda está distante da realidade. 

Relatório do Ministério dos Direitos Humanos, publicado recentemente e elaborado a partir de comunicações feitas ao serviço Disque 100, indicam que a cada dia mais brasileiros de tal faixa etária denunciam um ou mais tipos de maus-tratos. 

Em Minas, só no primeiro semestre deste ano, foram 2.380 apelos às autoridades, o que representa o dobro do que foi registrado, há cinco anos.
Claro que as denúncias só cresceram em número justamente porque o Estatuto favoreceu o surgimento de maior consciência quanto à necessidade de dar devida guarida aos idosos, muitas vezes negligenciados pela sociedade, de modo geral, e pelos próprios familiares. Mas não deixa de ser triste verificar que os abusos continuam.

O conjunto de agressões transcende os atentados físicos. Ataques de natureza psicológica, a já mencionada negligência e o uso indevido da fonte de renda das vítimas são alguns dos casos mais relatados. Destaque-se que, segundo as autoridades, embora a violência ocorra em diferentes situações, é dentro de casa que os idosos mais a sofrem. 

O que torna o assunto ainda mais sério é que, mesmo em casos de pequenas manifestações de desrespeito – como a de alguém mais jovem que não cede o lugar no ônibus para os mais velhos –, as consequências podem ser graves. 

Psicólogos e psicanalistas são unânimes em afirmar, por exemplo, que, quando uma pessoa em idade avançada sente-se atingida de alguma forma, mesmo em situações corriqueiras, e tem pouca capacidade de reação em razão de sua condição, fica mais sujeita à depressão. 
Daí, obviamente, há potencial para o surgimento ou o agravamento de outras doenças. 

Nunca é demais lembrar que o futuro pode reservar a qualquer pessoa a experiência do envelhecimento e, eventualmente, a de viver situações como as dos inúmeros idosos agredidos, das quais se tem notícia a todo instante. 

Na prática, apenas esse pensamento deveria ser suficiente para que casos de abusos e maus-tratos, simplesmente, deixassem de existir. Infelizmente, ao que parece, ainda não é. 
 

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