Editorial.

Santinhos com os dias contados

Publicado em 10/08/2016 às 21:17.Atualizado em 15/11/2021 às 20:18.

Os políticos nunca foram adeptos de inovações. Todas as táticas e teorias de marketing se baseiam em estudos detalhados e experimentados em diversas partes do mundo. Poucos são os que se arriscam em algo novo, e vários ainda não utilizam as redes sociais como ferramenta para divulgação do trabalho e diálogo com o cidadão. 

Mas as novas regras para as eleições no Brasil transformaram o pleito deste ano praticamente em um processo inédito. Com limite de gastos, proibições de doações de empresas, redução de tempo da propaganda política e, ainda por cima, uma crise econômica grave, os candidatos terão que buscar à força novas maneiras de passar a mensagem para o cidadão. Os tradicionais santinhos podem estar com os dias contados. 

Nesse contexto, as redes sociais poderão ter um papel muito mais decisivo do que em outras disputas, quando foram mais usadas como meio de fazer uma campanha para desconstrução de adversários. As redes se tornaram um veículo mais barato e com potencial maior de alcance do eleitor, longe dos limites de horário e de tempo de duração da propaganda eleitoral gratuita no rádio de na televisão. 

Alguns candidatos que trabalham com Twitter e Facebook, por exemplo, até já começaram a campanha pelas redes. Outros vão praticamente estrear nessas plataformas, o que pode aumentar a chance de erros que, no meio político, correm o risco de se espalhar não só entre os eleitores locais mas pelo país inteiro. 
O certo é que o que for testado neste ano em termos de campanha na internet será aperfeiçoado e certamente ainda mais utilizado nas eleições de 2018, que envolverão um número maior de candidatos. E é bom políticos e marqueteiros se acostumarem com as novas mídias, porque é um caminho sem volta. 
Para se ter uma ideia disso, nas convenções dos dois principais partidos, republicano e democrata, para escolher os candidatos à presidência dos Estados Unidos, Facebook e Twitter montaram estúdios dentro dos ginásios onde eram realizadas as convenções. 

As estruturas permitiram que correspondentes de jornais e jornalistas pudessem transmitir os seus boletins, entrevistas e programas ao vivo para as redes sociais. De qualquer parte do mundo você poderia acompanhar transmissões das principais emissoras de TV.

Os norte-americanos também já utilizam a internet como principal fonte de arrecadação para as campanhas, com ferramentas que permitem ao eleitor a doação de recursos diretamente para a campanha. 

A eleição deste ano vai inaugurar um novo modelo de campanha no Brasil. E quem souber entender a dinâmica dele poderá fazer a diferença. 
 

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