Reportagem na edição de hoje mostra como o cenário de disseminação do novo coronavírus e as medidas de saúde implementadas para impedir um aumento descontrolado de casos já interfere no calendário de transplantes de órgãos em Minas Gerais.
Ainda que cirurgias urgentes sejam mantidas, casos considerados menos prementes são adiados, até mesmo como medida de prevenção para os pacientes, que não se sujeitam a um quadro de imunidade e capacidade de resposta reduzidas, o que poderia ser fatal num eventual contágio pela Covid-19. Há mais de 4 mil pessoas à espera de um órgão.
Trata-se de um dos problemas mais sérios, mas não o único em termos de saúde pública que preocupam não só no que diz respeito ao momento, mas principalmente, ao pós-pandemia. O incentivo à vacinação contra outro vírus, o da Influenza, além de permitir monitoramento mais acurado dos casos suspeitos de Covid-19 ajuda a reduzir a carga sobre unidades de saúde no período. O que também acontece com a diminuição do número de traumas, consequência da redução dos acidentes de trânsito.
Por outro lado, o adiamento das cirurgias não-eletivas empurra, para mais adiante, uma fila que apenas aumenta durante o período, e exigirá estrutura reforçada também quando não mais a Covid-19 for o principal desafio. E não se pode ignorar os riscos provocados por duas outras doenças infecto-contagiosas: a dengue, cujos números em Minas Gerais ainda preocupam, a reboque de uma estação chuvosa intensa; e o sarampo, que de extinto, voltou a se tornar ameaça.
Será fundamental, quando possível, retomar discussões e esforços pela descentralização da estrutura de saúde; da qualificação do atendimento em todas as regiões do Estado e de uma menor dependência dos grandes centros.
A mobilização em torno da pandemia, que trouxe o assunto à pauta, é a ocasião ideal para levar tal missão adiante. E ações como a recuperação de respiradores e a participação de empresas dos mais variados segmentos que se juntaram à produção de equipamentos de proteção, mantidas e incentivadas. O risco de um colapso é inegavelmente maior hoje, mas não desaparecerá uma vez que o desafio contra o coronavírus tenha sido vencido.