Editorial.

Saúde pra quem?

Publicado em 04/06/2016 às 06:00.Atualizado em 16/11/2021 às 03:44.

No fim do mês de fevereiro deste ano, o Hoje em Dia publicou um diagnóstico da saúde privada no Brasil mostrando uma significativa migração de clientes dos planos de saúde para o SUS, em função da crise econômica e do desemprego.

Somente em 2015, 125 operadoras de saúde no país tiveram os registros cancelados, a maioria por dívidas acumuladas. Em Minas Gerais, no mesmo período, 78 mil mineiros deixaram de ter plano de assistência.

A saúde, que nunca andou efetivamente muito bem no Brasil, recebeu, só nos últimos dias, duas notícias que a deixaram ainda mais “doente”. Inicialmente, a presidência interina anunciou, por meio do ministro da Fazenda Henrique Meirelles, o congelamento das verbas para a saúde a partir do ano que vem. 

O reajuste de 13,57% autorizado pela ANS para os planos de saúde está, mais uma vez, acima da inflação anual calculada em 9,28%; em 2015, foi de 13,55%, no ano anterior, 9,65%

Investimentos em Saúde e Educação, contabilizados como gastos, terão aumento apenas nominal, não real, conforme comunicado no último 24 de maio. Nessa sexta-feira (3), um outro fato foi somado à essa crise de saúde: a ANS autorizou reajuste de pouco mais de 13% para os planos no período compreendido entre abril de 2016 e o mesmo mês de 2017.

Conforme a Agência Nacional de Saúde Suplementar, a decisão será publicada no Diário Oficial da União da próxima segunda-feira. Oito milhões e trezentos mil beneficiários serão afetados pelo aumento, sendo o índice de reajuste aplicado somente a partir da data de aniversário de cada contrato.

O que pode se esperar agora do cenário geral da saúde (privada e pública) no país? É possível que o SUS, cujos recursos permanecerão os mesmos (isso se Temer não voltar atrás em mais essa decisão), inche ainda mais e tenha de dividir o “bolo” entre aqueles que já são usuários e os novos que entrarão a partir do momento em que esse reajuste começar a pesar no bolso do consumidor.

Um outro cenário é o fortalecimento da medicina popular, com consultas médicas (muitas vezes, duvidosas) que giram entre R$ 50 e R$ 100 e, também, a transferência de clientes dos planos de saúde mais tradicionais e mais caros para aqueles que oferecem mensalidades que cabem no orçamento do brasileiro. Aí, pode ser que o salário dê para pagar o plano para a família, o aluguel, o supermercado e a escola dos filhos...

Compartilhar
Ediminas S/A Jornal Hoje em Dia.© Copyright 2026Todos os direitos reservados.
Distribuído por
Publicado no
Desenvolvido por