Há exatos sete meses, o Brasil e o mundo assistiam à maior tragédia socioambiental ocorrida na história do país. Em 5 de novembro de 2015, um mar de lama engoliu o distrito de Bento Rodrigues, vizinho à Mariana, na região Central de Minas Gerais, levando não só bens materiais, fauna e flora, mas o lar e os investimentos de toda uma vida de centenas de pessoas.
Apesar de ainda não haver uma data certa para o início da construção do Novo Bento Rodrigues, distrito que será erguido nas proximidades daquele destruído após o rompimento da barragem de rejeitos de minério da Samarco, existe a promessa de que aquelas famílias que tiveram que deixar suas casas e todos os pertences para trás naquele fatídico dia estejam na localidade em três anos.
A reconstrução do distrito será paga integralmente pela mineradora e consta no acordo assinado com o governo federal e os governos de Minas e do Espírito Santo, homologado na Justiça Federal
A ideia é que o novo distrito tenha edificações sustentáveis, com placas para geração de energia solar e estrutura para armazenamento de água da chuva. O projeto também prevê, como medida compensatória, que toda a rede de esgoto do município seja tratada.
A reportagem do Hoje em Dia esteve em Mariana e levou antigos moradores de Bento para visitar o que sobrou do distrito que moravam e, também, o terreno escolhido para dar lugar à nova “cidadezinha”. O que sobrou para essas pessoas diretamente atingidas pelo rompimento da barragem foram lembranças. Aquelas que remetiam à vida pacata levada em Bento, com as hortas, os pássaros e os ares de roça.
Essas lembranças serão o ponto de partida da equipe que está coordenando a reconstrução da comunidade. A descrição das edificações já está sendo dada ao grupo pelos integrantes da comunidade. O próximo passo será realizar uma pesquisa em que as famílias irão descrever como era o dia a dia em Bento. Quais eram as festividades tradicionais do local, os costumes, enfim, um resgate minucioso da cultura da região.
Essas pessoas tiveram as vidas destruídas por uma terrível falha do homem, por falta de cuidado com uma gigantesca estrutura que já operava em seu potencial máximo. Mais do que uma dívida com a comunidade, a Samarco tem a obrigação de devolver a vida a essas famílias. Tentar reproduzir como eles viviam, como eram seus terreiros e quintais, como cuidavam de suas galinhas, seus pássaros, suas árvores, seja talvez a ação mais valiosa que a empresa pode realizar neste reassentamento.