Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios de 2014 apontam a existência de mais de 3 milhões crianças e jovens entre 5 e 17 anos de idade trabalhando no Brasil. É assustador pensar em tantos menores fora da escola, muitas vezes sob a influência de adultos aproveitadores (que podem ser os próprios pais ou parentes), e em árduos trabalhos que comprometem tanto física quanto mentalmente. Uma realidade que não condiz com a de um país em desenvolvimento como o Brasil.
Neste domingo, Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil, o Hoje em Dia traz uma reportagem sobre a exploração desses jovens nas ruas da capital mineira. Em Belo Horizonte, é fácil encontrar crianças e adolescentes trabalhando nos sinais de trânsito vendendo balas e pipocas. Quando não conseguem comercializar os itens, com frequência pedem aos motoristas um “trocado”.
Em breve, no segundo semestre, será possível conhecer os números regionais relativos ao problema enfrentado em todo mundo. É que uma pesquisa está em desenvolvimento em BH para mostrar o perfil de crianças e adolescentes que trabalham de forma irregular.
Se antes as meninas estavam mais restritas ao trabalho doméstico, hoje o volume de garotas atuando como vendedoras ambulantes nas ruas de BH é grande
Talvez, os maiores desafios sejam combater o incentivo ao trabalho infantil e desenvolver políticas públicas que beneficiem os responsáveis por esses jovens e os jovens em si. Por exemplo, em um dia rentável de vendas, um adolescente entrevistado pela nossa reportagem contou que recebe até R$ 50. Em uma rápida soma, se o menino trabalhar seis dias por semana, em um mês terá um “salário” de R$ 1.200. Ou seja, comprar os produtos significa incentivar que eles continuem diariamente nas ruas e fora da escola, não é?
Além disso, é preciso pensar: temos atividades gratuitas oferecidas pelo Estado mais atrativas que esse dinheiro bem maior que o salário mínimo em vigor no Brasil? E o trabalho infantil utilizado por grandes empresas mundialmente conhecidas, que mesmo, depois de denúncias, as lojas continuam cheias e vendendo, não é também uma forma de incentivo?
Essa é uma pesquisa é de extrema importância na tentativa de superar esses desafios que necessitam de um trabalho focado, minucioso, e que levará um bom tempo para resultar em ações eficazes de combate. Será preciso, depois de identificar esses jovens nas ruas, conhecer as realidades, oferecer projetos sociais, tentar inseri-los em trabalhos regulares como jovens aprendizes, contando com a colaboração e parcerias de empresas e também com o apoio da sociedade, para que ela também auxilie e seja um agente de combate ao trabalho infantil.