Editorial.

Um cenário que alivia, outro que preocupa

Publicado em 05/05/2020 às 19:38.Atualizado em 27/10/2021 às 03:26.

Segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde mostrado nesta edição, Minas Gerais conseguiu adiar o período de pico da pandemia de Covid-19 para a primeira semana de junho. Movimento que, aliás, se repete por boa parte do país. Trata-se de um dos pilares para o sucesso de uma estratégia de enfrentamento - diminuir o ângulo da curva de contágio e, com isso, ganhar tempo não só para dotar a estutura hospitalar das condições adequadas de atendimento, mas também permitir que a disseminação do vírus perca força.

O que mostra como as políticas de isolamento social e redução da mobilidade trouxeram resultados. Houvesse sido mantida uma normalidade, não apenas o número de infectados cresceria de forma ainda mais assustadora, como o novo coronavírus encontraria terreno ainda mais fértil para avançar. E as consequências, de forma lógica, se tornariam ainda mais trágicas.

Como já se comentou antes, todo o esforço depende, e muito, da adesão da população que, a essa altura, não terá mais motivos para duvidar do potencial da principal questão de saúde do século. Hoje a Covid-19 desconhece fronteiras e divisas e atinge bem mais do que aqueles que integram os grupos de risco. E se Minas Gerais vem conseguindo administrar a situação de forma positiva tem muito do comprometimento do poder público (nas esferas estadual e municipal), mas também de características orgânicas do estado, que talvez um dia sejam compreendidas a fundo e, quem sabe até, de um pouco de sorte, o que, a essa altura, é algo mais do que bem-vindo.

Por outro lado, a previsão de que o período com maior incidência de casos virá em exatamente um mês mostra que não é hora de baixar a guarda. Tanto mais que tal panorama não se constroi com situações ‘imediatas’, mas sim um contágio que ocorreria bem antes disso, nos próximos dias. Seria excepcional poder contradizer tal quadro com números inferiores aos esperados - evitar mais de 100 mortes é algo importantíssimo e deve ser o foco. Para isso, a matemática não entra. São as ações de todos que determinarão um desfecho menos triste. Vale o esforço de cada um.
 

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