Editorial.

Um retrato nada alegre da pandemia

Publicado em 10/07/2020 às 21:57.Atualizado em 27/10/2021 às 04:00.

Se muitos segmentos comerciais conseguiram se adaptar com rapidez às circunstâncias impostas pela pandemia de Covid-19, ajustando-se ao mundo virtual e descobrindo novas formas de acesso ao cliente, outros não tiveram a mesma sorte. Acima de tudo pela natureza de seus produtos e serviços, essencialmente presenciais. Não há como conceber, por exemplo, o funcionamento de uma casa de recepções em tempos de extremas restrições à circulação e de isolamento social. Aniversários, reuniões, casamentos e datas comemorativas têm sido celebrados de forma remota. Ou, no caso específico das uniões, adiados para quando houver maior condição de reunir familiares e convidados.

O que inviabiliza totalmente qualquer esforço de sobrevivência para o segmento. Os imóveis, em muitos casos, são alugados, ou, se próprios, demandam as despesas normais de manutenção. E tanto ou mais quanto outras áreas economicamente impactadas, exigem acesso a algum tipo de recurso que garanta liquidez e o custeio. Crédito que, embora propagandeado, na maioria das vezes não chega a quem mais precisa.
Não por acaso, o setor estima em 25 mil pessoas a população que perdeu o sustento diante do momento delicado. Pior do que isso, não há como se programar de forma adequada considerando a falta de certezas sobre as condições de retomada - algo que apenas a descoberta de uma vacina eficaz poderia solucionar. Sofre também quem fez planos para momentos especiais da vida com antecedência e, apesar de mantê-los, não vislumbra tal possibilidade num horizonte próximo.

Tanto mais preocupante é considerar que há um caso de oferta e demanda, que não se conectam por absoluta impossibilidade momentânea. Especialmente neste caso, mas não só, é fundamental empreender diálogo entre os empresários impactados; poder público e entidades associativas (Sebrae, sistema S), de modo a discutir alternativas. Nem sempre é fácil se reinventar e, por outro lado, expertise em um setor específico não deve ser desperdiçada. 

Mais do que uma utopia, a recuperação econômica propriamente dita depende também de ações pontuais e segmentadas para que, no fundo, todos tenham o que comemorar.
 

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