Editorial.

Uma demora justificada

Publicado em 15/07/2020 às 20:33.Atualizado em 27/10/2021 às 04:02.

A reunião entre representantes dos diversos setores do comércio e o prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), para discutir propostas de reabertura, acabou não trazendo o desfecho esperado para os empresários, justificadamente preocupados com os impactos econômicos da pandemia em seus negócios. A sinalização aguardada ainda não veio, diante de um cenário em termos de casos de Covid-19 e comprometimento da rede de saúde ainda preocupante.

Tal fato não deve, de nenhum modo, ser interpretado como sinal de má vontade da administração pública para com quem se dispõe a colaborar com a sugestão de protocolos e a busca de uma ação integrada para permitir a retomada das atividades. Tampouco responsabilização direta pela situação vivida na capital. Mas, sim, reflexo de um conjunto de fatores que impediram que já antes fosse possível adotar uma flexibilização sustentada.

O primeiro deles a falta de uma política de enfrentamento nacional que agrupasse os esforços dos entes federativos. E organizasse medidas rigorosas de isolamento social e prevenção/proteção, além da realização de testes em volume bastante superior ao registrado até agora. Tal cenário acabou por favorecer o desrespeito por parte da população às recomendações e determinações. Repetidas foram as cenas de aglomerações na prática de exercícios físicos; de ausência do uso da máscara, sem contar o despreparo do sistema de transporte coletivo de BH para lidar com a situação excepcional. 

Ao mesmo tempo, também alguns comerciantes insistem em driblar a proibição de funcionamento, trabalhando ‘à meia porta’ ou, em alguns casos, como se pudessem atuar normalmente, diante de uma fiscalização que se sabe incapaz de vigiar os quatro cantos da metrópole. 
Compreende-se o cenário muitas vezes de desespero; a angústia para retomar o sinônimo do ganha-pão, mas são justamente ações como essas que acabam por atrasar ainda mais o esforço por indicadores favoráveis que permitam a adoção de uma reabertura definitiva, ainda que gradual. É preciso que todos se conscientizem de seu papel e cumpram o que se determinou, não por perseguição ou má-vontade, mas justamente para que o pior da pandemia, em todos os aspectos, fique para trás o mais rápido possível.
 

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