Editorial.

Uma esperança de avanço

Publicado em 15/07/2016 às 08:58.Atualizado em 16/11/2021 às 04:18.

Em poucas horas, dois fatos marcaram a semana na Câmara dos Deputados: a eleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara, e, logo em seguida, a derrubada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do parecer que pedia a anulação da decisão do Conselho de Ética favorável à cassação do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Os dois resultados podem influenciar no futuro do Legislativo federal que passa por um dos momentos mais conturbados na história.

Maia é apontado pelos colegas de Câmara como de perfil conciliador. A primeira prova é lista de partidos que deram apoio ao deputado de 46 anos, nascido no Chile durante exílio do pai, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia. Além de PSDB e DEM, tradicionais aliados, PCdoB, PPS e até integrantes do PT, partido da presidente afastada Dilma Rousseff, votaram no democrata. No caso dos comunistas, foi uma retribuição ao apoio dado por Maia à eleição de Aldo Rebelo, ainda no governo Lula, mesmo o DEM sendo, naquela época, de oposição.

Em seu discurso, o deputado fluminense pediu que os colegas se mobilizasse para resolver a crise da própria Câmara, para que, em seguida, tentar tirar o Brasil da crise econômica. Ele não escondeu que vai colocar em votação a pauta proposta do governo Temer, até com medidas consideradas impopulares.

Pela primeira vez em muito tempo, o Brasil terá um comando da Câmara em sintonia com o Palácio do Planalto. O presidente interino Michel Temer tem mais a ganhar, em princípio.

Essa sintonia foi perdida em boa parte pela atuação do antecessor de Maia, Eduardo Cunha. A derrota do peemedebista na CCJ mostrou que os parlamentares podem ter se sensibilizado com a mensagem de Maia, e querem definir a situação de Cunha rapidamente, e com uma possível cassação do mandato dele em plenário – apesar de a votação estar prevista somente para após o recesso de meio do ano.

É difícil definir que o Legislativo federal entra em uma nova era com esses acontecimentos recentes. É preciso esperar um pouco para ver se o comportamento de Rodrigo Maia vai confirmar as primeiras impressões.

Mas não há como negar que a eleição dele cria uma esperança no fim da disputa política que praticamente paralisou o andamento da Casa, com consequências em diversas áreas, principalmente na economia.

Hoje, há pelo menos maior disposição ao diálogo e na busca de um consenso em prol de medidas urgentes, acima de interesses particulares, para tirar o país do buraco em que está. Assim que deveria ser, sempre.

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