O forte calor e a temporada de chuvas são as senhas para que a preocupação das autoridades de saúde e da própria população de Minas volte-se para as três perigosas doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti: dengue, chikungunya e zika.
Este ano, até agora, o Estado registrou 24 mil doentes e oito óbitos em razão da dengue. Os números são bem inferiores, por enquanto, aos de anos recentes.
São os casos, por exemplo, de 2016, que teve mais de 318 mil notificações, e de 2013, com o recorde de 414 mil.
Mas os especialistas são unânimes em afirmar: se não houver medidas eficazes para evitar a proliferação do vetor, a situação não só pode, como deve se agravar.
Outro componente do risco é a reintrodução no Estado do sorotipo 2 da dengue, já detectado em amostras de sangue por aqui.
Há o temor de que o germe alastre-se rapidamente, já que a população, sem contato com ele há um bom tempo, estaria suscetível.
A chikungunya também tem tudo para assustar os mineiros, em 2018. Desde janeiro, são 11.582 pessoas diagnosticadas com a doença no Estado e um óbito confirmado, além de outros dois sob investigação.
No caso do zika vírus, houve 163 doentes até o momento, mas sem mortes.
A combinação entre precipitações constantes e temperatura adequada à reprodução dos mosquitos, como é esperado para os próximos dias e meses, porém, pode redimensionar para cima, e muito, tais números.
Em alerta, o poder público, tanto no Estado, onde 22% os municípios estão com risco de surto dessas doenças, quanto na capital, já deu início a ações para reduzir impactos de eventuais surtos e epidemias.
Postos de saúde com horários ampliados, aumento de equipes para vistoriar residências em busca de focos do mosquito e maior agilidade na detecção e tratamento das doenças são algumas das medidas.
Fundamental, contudo, é que a população faça sua parte. Isso vale, especialmente, para algumas regiões de Belo Horizonte, como a Leste e a Noroeste, e para cidades como Montes Claros, no Norte de Minas, e Governador Valadares, no Leste, que tradicionalmente apresentam alto número de focos do Aedes.
Evitar acúmulo de água, descartar adequadamente o lixo e denunciar sujões e locais de disposição irregular de detritos são algumas das providências que se espera. Sem a participação de cada um de nós no combate ao mosquito, ele vence a guerra.