Editorial.

Voltando ao normal

Publicado em 11/09/2016 às 17:28.Atualizado em 15/11/2021 às 20:47.

As senhoras e os senhores deputados federais têm hoje a oportunidade de dar uma sinalização à população brasileira de que nem tudo no cenário político nacional está perdido. A cassação do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha é o último e derradeiro passo para se acabar com a crise política que paralisou o país nos últimos meses. Com o afastamento de Dilma Rousseff e com a provável saída de Cunha, dois dos principais personagens da disputa de poder que dominou Brasília ficam alijados das tomadas de decisões sobre o futuro do país, e as discussões podem voltar a um nível mais próximo do normal. Pelo menos é o que se espera. 

A ascensão de Eduardo Cunha ilustra o momento em que o Congresso passou nos últimos anos. A história política do parlamentar fluminense se construiu nos gabinetes de segundo e terceiro escalões de governos estaduais e da União, quando também esteve envolvido em denúncias de irregularidades. 

Ninguém com um pouco mais de vivência em Brasília pode dizer que não o conhecia. O modo Cunha de conduzir a Câmara apenas reflete a maneira com a qual ele conduziu toda a vida política. Aguardar algo diferente é como plantar laranja e esperar colher goiaba, como dizem os mais velhos. 

Em um país mais ou menos nos eixos e com dose mediana de seriedade com a coisa pública, Eduardo Cunha seria um deputado para compor o chamado baixo clero, no máximo, e por lá ficar. Figuras como ele alcançarem a liderança da Câmara e, consequentemente, o segundo posto na linha sucessória da Presidência é dar muita chance ao azar. Deu no que deu. 

Falar que os deputados aprenderam ou vão aprender algo com a trágica passagem de Eduardo Cunha pela Câmara é até meio ingênuo. Quem chega ao Congresso já tem vivência suficiente para saber quem é quem naqueles salões. E foram eles mesmos que o colocaram lá, sabe-se lá por qual motivo. 

O termo correto talvez seja “esperança”. Esperamos que muitos tenham tomado vergonha na cara e se conscientizado de que pessoas como Cunha não deveriam, com todo o respeito aos eleitores que o elegeram, ter tanta importância ou tanto poder neste país a ponto de criar a maior crise política do século. 

Que o lado negro da força vá junto com Cunha e deixe o país seguir seu rumo. 

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