
Com 120 anos de trajetória no mercado mineiro, a Drogaria Araujo deixou de ser apenas um ponto de venda de medicamentos há décadas. Quem já esteve em pelo menos uma das 360 lojas espalhadas por 65 cidades mineiras sabe que lá se vende quase tudo. Não à toa são 70 milhões de atendimentos por ano, com uma receita de R$ 5,3 bilhões em 2025. E um dos principais planos da gigante do varejo farmacêutico é crescer ainda mais, com abertura de 31 novas lojas até o fim de 2026.
É o que reforça o presidente da Araujo, Modesto Carvalho de Araujo, neto de Modesto Carvalho de Araujo (fundador da empresa). Em 1988, quando a farmácia tinha apenas nove lojas, tornou-se diretor comercial e administrativo, sendo responsável por inovações nas áreas de gestão, informatização e profissionalização, assim como a implantação do formato Drugstore e do primeiro Drive Thru em drogarias do Brasil.
Em 2004, ele assumiu a presidência, e desde então fez a empresa crescer 2 dígitos, ano após ano, posicionando a companhia como a maior varejista de Minas e a 4ª maior rede de drogarias brasileira.
Natural de Belo Horizonte e membro do conselho diretivo da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma), Modesto Araujo falou sobre as mudanças nos últimos anos. “Avançamos no papel da drogaria como um lugar de fácil acesso na prevenção, no acompanhamento de condições de saúde e na orientação inicial do paciente, com a expansão de serviços como vacinação, exames rápidos e acompanhamento farmacêutico contínuo”.
A Araujo chega aos 120 anos como uma das empresas mais longevas do varejo brasileiro. O que explica essa capacidade de atravessar gerações sem perder a relevância?
A relevância se conquista e se renova todos os dias. Ao longo desses 120 anos, a Araujo conquistou um lugar permanente na memória dos clientes e se consolidou como uma das marcas mais tradicionais e queridas dos mineiros. Sempre tivemos clareza de que confiança nasce no detalhe, no atendimento e na presença cotidiana. Evoluímos, modernizamos a operação, acompanhamos as transformações do mercado, sem abrir mão da proximidade, credibilidade e do compromisso de cuidar.
Hoje, estamos presentes em mais de 65 cidades, com mais de 360 lojas e cerca de 70 milhões de atendimentos por ano. Essa força e longevidade é resultado do trabalho apaixonado e da disciplina operacional de um time de mais de 12 mil colaboradores. Atuamos com seriedade, responsabilidade e transparência, orientados pela sustentabilidade do negócio e sempre buscamos estar onde o cliente precisa, oferecendo serviços de saúde e conveniência.
O senhor acompanhou de perto momentos decisivos da história da empresa. Houve alguma escolha ou virada estratégica que, olhando hoje, foi determinante para o que a Araujo se tornou?
Sem dúvida. A decisão de investir em gestão e profissionalização foi um divisor de águas. A informatização da empresa, a estruturação da gestão de estoque e as parcerias estratégicas que fizemos ao longo do tempo nos deram base para crescer com consistência. Se a proximidade construiu vínculo com o cliente, a inovação garantiu a nossa permanência. Desde cedo, a Araujo se destacou por iniciativas pioneiras, como o primeiro plantão 24 horas de Belo Horizonte, em 1933, e o lançamento do Drogatel, em 1963, antecipando o conceito de delivery no Brasil.
Também foi responsável por introduzir o modelo de drugstore e o autosserviço, transformando a experiência de compra nas farmácias. Em 1998, inovou novamente com o primeiro drive-thru farmacêutico do país. Mais recentemente, saiu na frente ao implementar vendas via WhatsApp e consolidar uma operação omnicanal integrada, com múltiplos canais de atendimento. A empresa também ampliou seu papel em saúde ao oferecer serviços como vacinação em loja e exames rápidos, reforçando sua capacidade de evoluir continuamente sem perder a conexão com o cliente.
Em um setor tão dinâmico quanto o varejo farmacêutico, o que precisa mudar rápido e o que o senhor considera inegociável preservar?
O ritmo de mudança hoje é ditado pelo cliente. A forma de comprar e de se relacionar com a empresa exige respostas cada vez mais rápidas. Na Araujo, isso se traduz na integração entre o físico e o digital, com iniciativas como o WhatsApp Farma e uma operação omnichannel que amplia a autonomia e a conveniência do consumidor. Oferecemos ainda soluções, como o clique e retire, que o cliente pode comprar em qualquer um de nossos canais de atendimento e escolher pegar seu pedido no balcão da loja, no Drive Thru sem sair do carro ou ainda em um dos mais de 100 lockers - armários inteligentes - sem precisar entrar na loja.
Ao mesmo tempo, avançamos no papel da drogaria como um lugar de fácil acesso na prevenção, no acompanhamento de condições de saúde e na orientação inicial do paciente, com a expansão de serviços como vacinação, exames rápidos e acompanhamento farmacêutico contínuo. Esse movimento ganhou ainda mais força na Filial 120 anos, com o conceito Araujo Saúde | Espaço Sérgio Mena, dedicado a um atendimento moderno e humanizado. O que não muda e é inegociável, são os fundamentos: ética e qualidade no atendimento.
O senhor viveu a transição da empresa por diferentes fases: da informatização ao digital. O que mais desafiou sua forma de liderar ao longo dessas transformações?
O maior desafio foi liderar em um ambiente de mudanças constantes sempre com objetivo de cuidar das pessoas. Transformar exige coragem e disciplina. A tecnologia sozinha não resolve: ela precisa estar a serviço das pessoas. Na Araujo, o papel da liderança é justamente equilibrar inovação com cultura, garantindo que a evolução aconteça sem romper aquilo que sustenta a empresa.
Isso passa pela proximidade, que não é discurso, é prática. Está no farmacêutico que conhece o cliente pelo nome, na equipe de atendimento que escuta de verdade e na disposição de resolver o problema. Investimos continuamente nas pessoas, porque são elas que dão vida a esse compromisso no dia a dia. O desafio é manter esse olhar individual, que faz a diferença na experiência de cada cliente.
Hoje, a drogaria vai além da venda de produtos e assume um papel mais ativo em saúde. Como o senhor enxerga essa evolução do setor e o lugar da Araujo nesse novo cenário?
Esse movimento é irreversível. A drogaria deixou de ser apenas um ponto de venda para se consolidar como um ponto de cuidado e, agora, evolui para um hub de saúde. A Araujo já vinha trilhando esse caminho há muito tempo, com serviços como vacinação, exames rápidos e orientação farmacêutica e dá um novo passo com o conceito Araujo Saúde | Espaço Sérgio Mena, que integra soluções e amplia a jornada de cuidado em um só lugar. O modelo será expandido para outras unidades, fortalecendo sua atuação levando mais acesso, proximidade e qualidade para os mineiros. Para 2026, temos um plano de expansão, com a abertura de 31 novas lojas – o que representa uma nova unidade a cada 12 dias.
O que mudou no comportamento do cliente ao longo dessas décadas e o que continua igual?
Mudou a forma de comprar. Hoje, o cliente é mais informado, mais exigente e quer conveniência. Ele escolhe o canal, compara e decide rápido. Mas uma coisa não mudou: quando o assunto é saúde, ele quer segurança e isso segue sendo o mais importante. É por isso que a Araujo continua presente no dia a dia dos mineiros. Porque sempre tem uma loja por perto.
Liderar uma empresa familiar centenária exige decisões que muitas vezes equilibram emoção e racionalidade. Como o senhor lida com isso na prática?
Estamos falando de uma história construída ao longo de gerações, que carrega muito significado. Meu avô e meus irmãos sempre diziam que sonhavam em ver uma Araujo em cada esquina. Esse desejo nunca foi apenas sobre crescimento, mas sobre estar perto das pessoas. Na prática, a gestão exige disciplina e responsabilidade. O equilíbrio está justamente em honrar esse legado sem abrir mão da racionalidade. Liderar, para mim, é dar o exemplo, agir com coerência e assumir decisões responsáveis, principalmente nos momentos mais desafiadores. É ouvir com atenção, valorizar o time e manter a humildade para aprender continuamente – princípios que me acompanham há mais de 40 anos, desde os meus primeiros passos na Araujo.
Em um momento de consolidação e crescimento do varejo farmacêutico no Brasil, como a Araujo enxerga sua estratégia de expansão: avançar para novos mercados ou se fortalecer ainda mais em Minas?
Minas Gerais ainda oferece muitas oportunidades e temos uma relação com o cliente mineiro, construída ao longo de gerações. Por isso, nosso foco segue sendo fortalecer essa presença no Estado. Ao mesmo tempo, estamos atentos aos movimentos do mercado. Crescer faz parte da nossa trajetória, mas nunca foi sobre velocidade e sim sobre qualidade e sustentabilidade. A Araujo sempre avançou de forma responsável e essa lógica permanece. Além disso, por meio do nosso site, já conseguimos atender clientes em todo o Brasil.
Depois de mais de quatro décadas na empresa, o que ainda motiva o senhor e que legado gostaria de deixar para as próximas gerações?
O que me motiva todos os dias é ver que a Araujo continua fazendo parte da vida dos mineiros. Estar presente nos momentos em que nossos clientes mais precisam é um privilégio e uma responsabilidade que dá sentido ao nosso trabalho. Mas a Araujo não cuida apenas dos clientes. Ao longo desses anos, também tivemos a missão de cuidar e formar pessoas. Tenho orgulho de ver colaboradores que cresceram profissionalmente, constituíram suas famílias, desenvolveram valores e se tornaram referências de caráter, trabalho e serviço. Acredito que uma das contribuições da Araujo para a sociedade é ajudar a formar gente do bem.
O legado que gostaria de deixar é o de uma empresa sólida, respeitada e fiel à sua essência. Uma empresa que continue evoluindo e inovando, sem jamais abrir mão dos valores que nos trouxeram até aqui: servir com amor, agir com simplicidade, estar próximo das pessoas e assumir com responsabilidade o compromisso de fazer sempre o melhor.