
A produção brasileira de aço mostrou sinais de recuperação em julho. Dados divulgados ontem pelo Instituto Aço Brasil (IABr) apontam que o setor teve a primeira alta na comparação mensal desde março deste ano. No mês passado, foram produzidas 3 milhões de toneladas, um crescimento de 9% sobre o volume de junho, o pior mês desde dezembro de 2011, quando a produção não passou de 2,6 milhões de toneladas.
O destaque ficou com os laminados planos, usados em bens como automóveis e máquinas e equipamentos, que saltaram 22% sobre julho do ano passado, e 3,4% sobre junho, chegando a 1,32 milhão de toneladas.
O bom desempenho nos laminados planos ocorreu graças ao aumento do apetite dos brasileiros por carros, estimulado por incentivos fiscais.
No início deste mês, a Associação Nacional de Fabricantes de Veículos (Anfavea) estimou que agosto será marcado por vendas e produção recordes, apoiadas na redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), que vence no fim do mês.
“É difícil apontar uma tendência a partir de um só resultado positivo. Mas tudo indica que pode ser o início do impacto favorável do real menos valorizado frente ao dólar no setor, que vem sofrendo desde 2008 com a crise internacional”, avalia o presidente da J.Mendo Consultoria, o engenheiro José Mendo, que aposta em aquecimento no segundo semestre.
Perspectivas
Essa também é a expectativa do IABr. O Instituto avalia que, com retomada da atividade a partir de agora, aumentam as chances de o setor encerrar 2012 com crescimento de 2,2% na produção, alcançando 36 milhões de toneladas.
A intenção é deixar para trás o primeiro semestre deste ano, marcado por um dos piores desempenhos do setor em anos, em função da estagnação da indústria.
“O Governo tomou medidas que ajudaram. E agora temos a desvalorização do real a nosso favor. Esperamos, portanto, um segundo semestre bem melhor”, afirma o presidente das Indústrias Siderúrgicas do Oeste de Minas (Sindigusa), Ronan Júnior.