Agricultor mineiro investe em hortaliças não convencionais e plantas medicinais

Bruno Porto - Do Hoje em Dia
Publicado em 17/11/2012 às 10:43.Atualizado em 21/11/2021 às 18:21.
 (Samantha Mapa/Epamig)
(Samantha Mapa/Epamig)

Culturas alternativas para diversificar a produção agrícola começam a ganhar espaço em Minas Gerais. Com boa demanda e fácil cultivo, as hortaliças não convencionais e as plantas medicinais, além de assegurarem uma renda extra ao produtor rural, auxiliam no combate a pragas e facilitam o manejo no campo.

Um exemplo de hortaliça não convencional, que possui valor de mercado atrativo, é o azedinho, que é comercializado a R$ 4,50 cada 300 gramas. O pé da folha, que pesa entre 300 gramas e 400 gramas, tem preço próximo de R$ 1,50 para o consumidor.

No mês passado, no município de Oratórios, na Zona da Mata, cerca de 150 produtores rurais participaram de seminário da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) sobre o cultivo de hortaliças não convencionais, como taioba, ora-pro-nobis, azedinho e outros.

A pesquisadora da Epamig em Viçosa, Maira Fonseca, explica algumas das vantagens de diversificar a produção rural. “Quando se planta somente a soja, por exemplo, as lagartas proliferam muito rápido. Quando se tem outra cultura, existem inimigos naturais que impedem que isso ocorra e a cadeia alimentar fica mais completa, além de reduzir os gastos do produtor com inseticidas e fungicidas”, disse.

O espaço ideal destinado a hortaliças alternativas – são 30 espécies listadas em Minas – é de algo próximo de 5% da área total de produção. “O cultivo é simples e barato. Não é necessário sequer a irrigação em períodos de seca, e muitas hortaliças deste tipo conseguem mercado de forma satisfatória, vendendo tudo o que se produz”, afirmou.

Plantas medicinais

Outra opção, as plantas medicinais ganharam um novo mercado. O Programa de Plantas Medicinais e Fitoterápicos na Atenção Primária à Saúde no Estado de Minas Gerais prevê a oferta de 14 espécies para serem utilizadas pelo SUS. Em Minas, a Epamig iniciou em fevereiro pesquisa sobre tecnologias de cultivo, colheita e secagem. A fase atual é de cadastramento de produtores.

Entre as espécies estão calêndula, erva-baleeira, alcachofra, alecrim-pimenta, espinheira-santa, melissa, hortelã-pimenta e outras.

As plantas medicinais, porém, exigem uma maior atenção do produtor quando comparadas ao cultivo de hortaliças não convencionais. Em alguns casos, não existem técnicas de cultivo e manejo, sendo obtidas as plantas por meio do extrativismo. Ainda em fase embrionária, o projeto pode ser boa garantia de renda extra, uma vez que existe preocupação com a escassez de material.

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